segunda-feira, 1 de setembro de 2008

FOCO 01: QUESTÃO DO PAÍS BASCO!

O Mapa acima se refere à região onde estão localizados os BASCOS, ou o Povo basco, que luta e enseja sua independência em relação à Espanha.
Os bascos são um grupo étnico que habita partes do norte da Espanha e do sudoeste da França. Os bascos, sendo nativos de Navarra, são predominantemente encontrados na região conhecida como País Basco, consistindo de quatro províncias na Espanha e três na França, localizadas em volta da borda ocidental dos Pirineus na região costeira do golfo de Biscaia.
Os bascos são conhecidos nas línguas locais como:
euskaldunak ("falantes de basco") ou euskotarrak ("nativos do País Basco", neologismo pouco utilizado) em basco.
vascos em
castelhano (ou pelo termo antigo vascongados, que no sentido exato se aplica apenas àqueles bascos que vivem nas províncias do País Basco).
basques em
francês.
bascos em
gascão.
Forças em conflito: separatistas bascos da região do País Basco, reunidos na guerrilha Pátria Basca e Liberdade (ETA); forças do governo espanhol.
Tipo: conflito separatista no interior de um Estado.

A questão basca, ou questão dos bascos, é um conflito territorial e étnico surgido no final do século XV e início do XVI com a unificação da Espanha em um só reino e a anexação da porção sul da região à Espanha e da porção norte da região à França.

O País Basco, como pode ser chamado, é composto por sete regiões tradicionais: Álava, Biscaia, Guipúscoa e Navarra que compõem o território de Hegoalde na Espanha, e Baixa Navarra, Lapurdi e Sola que compõem o território de Iparralde na região francesa.

Oficialmente, o território de Iparralde é considerado uma parte do Departamento Francês dos Pirineus Atlânticos. E, Hegoalde, é considerada uma comunidade autônoma denominada Euzkadi separada da Comunidade Foral de Navarra, ambas constituintes da Monarquia Constitucional Espanhola.

O povo basco teria ocupado a região da Península Ibérica por volta de 2000 a.C. tendo resistido durante séculos a invasões e à dominação por outros reinos, inclusive os romanos. Sua cultura resistiu ao tempo e às conquistas, se tornando, a língua basca, a língua mais antiga falada atualmente na Europa, mesmo tendo surgido como língua escrita apenas no século XVI o que, apenas contribuiu para fortalecer o espírito nacionalista do povo basco.

A principal característica da questão basca é que os bascos lutam para manter sua identidade como povo, sua língua, cultura e modo de vida. Ao invés de serem incorporados e suplantados por outra cultura, como a maioria dos povos que habitaram a Península Ibérica e a Europa.

Outro ponto interessante é o apoio que a luta armada do grupo guerrilheiro ETA (Euzkadi Ta Askatana, que em vasconço significa “Pátria Basca e Liberdade”) tem da população basca. Ou, pelo menos tinha.

O ETA surgiu em 1959 como um movimento socialista fundado através da união de diversos grupos políticos que atuavam na região. Desde a Guerra Civil Espanhola (1936-39) e do bombardeio à cidade de Guernica pelos nazistas alemães como represália ao apoio do povo basco aos republicanos, então aliados dos anarquistas e socialistas e, a proibição do vasconço em todo o território basco pelo general Franco, o sentimento nacionalista basco foi se tornando cada vez mais forte. Estes fatos, também contribuíram para que o ETA decidisse pela luta armada e tivessem o apoio da população.

Mas, com o final da ditadura de Franco em 1975 e os direitos cedidos pela Constituição de 1978 que defende o respeito pela diversidade cultural e lingüística, e de um estatuto especial assegurando à Catalunha, à Galiza e ao País Basco o direito de utilizar suas próprias línguas e ainda outros direitos que lhes confere certa autonomia, a guerrilha do grupo ETA começa a perder força ante a população basca. Desta forma, em março de 2006 o ETA declara uma trégua que durou apenas 14 meses. O ETA já decretou várias tréguas desde 1981, mas, apenas oito delas foram de fato efetivadas.

Atualmente o Partido Nacionalista Basco (PNV) tenta um acordo com o governo espanhol para a realização até o final de 2008, em caráter consultivo e, até 2010 de forma definitiva, de dois plebiscitos onde o povo basco decidirá sobre o tipo de governo a ser adotado e sobre a relação política entre o País Basco e a Espanha. No entanto, o primeiro – ministro espanhol, José Luis Zapatero, rejeita o plano Ibarretxe, como é chamado o plano lançado pelo PNV. Até lá as expectativas apontam que o ETA deverá decretar mais um cessa fogo como próximo ao plebiscito como manifestação de apoio ao PNV.
CURIOSIDADES A RESPEITO DA DIÁSPORA
DOS BASCOS PELO MUNDO !
A diáspora basca é a descrição dada à dispersão do povo basco por todo o mundo. Os bascos não têm um país independente que possam chamar de seu, estando divididos entre os estados espanhol e francês. Muitos bascos deixaram o País Basco e seguiram para outras partes do mundo por razões políticas ou econômicas.
Um grande número de bascos emigrou para
Argentina, Chile, México e Estados Unidos. Em todos esses países lugares foram batizados após sua chegada com nomes bascos como Nova Biscaia, agora Durango no México e Durango e Biscayne Bay nos Estados Unidos. No México a maioria dos grupos estão concentrados em Monterrey e Durango.
O destino da maioria dos imigrantes bascos foi a Argentina, com a cultura basca contribuindo muito com a cultura argentina. Há centros culturais bascos na maioria das grandes cidades, assim como escolas de língua basca. A muitos lugares foram dados nomes bascos, inclusive ao principal aeroporto internacional,
Ezeiza. Muitos dos presidentes argentinos eram de ascendência basca, como Hipólito Yrigoyen, Pedro Eugenio Aramburu e Justo José de Urquiza, sem mencionar outras figuras, especialmente Ernesto Che Guevara. Estima-se que haja cerca de 15.000 sobrenomes na Argentina de origem basca.
O Chile também recebeu muitos emigrantes bascos. Por exemplo,
Augusto Pinochet é de origem basca (através do sobrenome de solteira da sua mãe, Ugarte).
O
Brasil teve um Presidente da República descendente de bascos, foi o general Emílio Garrastazu Médici, que governou o país na década de setenta do século XX, durante o regime militar.
A maior comunidade de bascos na
América do Norte está na região da grande Boise, Idaho. Em Boise se localiza o Centro Cultural e Museu Basco. A área em torno do centro inclui várias lojas e restaurantes recheados de cultura basca no assim chamado "quarteirão basco" e a cidade recebe um grande festival basco conhecido como Jaialdi a cada cinco anos. Outra grande comunidade de bascos vive no Vale Central da Califórnia, principalmente na cidade de Bakersfield. Em Bakersfield há vários restaurantes bascos e o salão basco, que anualmente abriga um grande encontro basco. A maioria dos primeiros imigrantes foram para Bakersfield por causa das orportunidades na agricultura e criação de ovelhas. Reno (Nevada), lar do Departamento de Estudos Bascos da Universidade de Nevada, também possui uma significante população de origem basca. Outra área está localizada no extremo sul do Texas ao longo do Rio Grande. Na região em torno do Rio Grande próxima aos atuais Condado de Star, Condado de Zapata e Condado de Hidalgo no Texas, assim como em regiões nos estados mexicanos de Nuevo León e Tamaulipas, sobrenomes de origem basca se destacam como proprietários nas concessões de terra espanholas nos documentos históricos. A maior parte dessas concessões foram usadas para criação e agricultura da mesma forma que criavam ovelhas no País Basco. Esta região do Texas ostenta alguns dos maiores ranchos do estado atualmente.
Alguns desses sobrenomes, como Garza, destacam-se em muitas eleições políticas assim como detêm altos cargos políticos. Uma das famílias mais ricas do
México e do mundo carrega esse sobrenome basco. Uma cidade com o nome basco de San Pedro garza García, no México, tem a maior renda per capta de toda a América Latina. No Caribe, há descendentes bascos nas colinas de Esperón na província de Havana, onde a maioria originalmente se fixou dorante o pe´riodo colonial espanhol.
NOTÍCIAS RECENTES SOBRE O TEMA:
Espanha, 31 DE AGOSTO DE 2008: O antigo porta-voz da Batasuna, a ala política da ETA, saiu ontem em liberdade após 15 meses preso por "apologia ao terrorismo". Tem outros quatro processos pendentes

Número dois do PSOE recusa novas negociações

Menos quatro quilos, mas mais conhecimentos de inglês. Foi assim que Arnaldo Otegi, o antigo porta-voz da Batasuna (a ala política da organização independentista basca ETA), saiu ontem do estabelecimento prisional de Martutene, nos arredores de San Sebastián, depois de 15 meses de prisão por "apologia ao terrorismo". À porta, cerca de cinco dezenas de apoiantes ouviram-no apelar ao "diálogo" e à "negociação" para resolver o "problema político" basco. Otegi, de 50 anos, que aproveitou o tempo que esteve preso para se exercitar e se dedicar à aprendizagem do inglês, lembrou nas primeiras palavras em liberdade "todos os companheiros que ficaram na prisão de Martutene e noutros estabelecimentos". Mandou-lhes um "abraço pessoal", bem como às suas famílias, "que se deslocam milhares de quilómetros" para os poderem ver. Depois, fez uma análise da actual situação no País Basco. "Infelizmente, há um problema político de fundo por resolver", disse, acrescentando considerar que "esse problema se resolverá apenas pelo diálogo e a negociação". Otegi foi um dos principais impulsionadores da tentativa de diálogo entre o Governo de José Luis Zapatero e a ETA, em 2006, tendo sido detido dois dias depois desta ter falhado, em Junho de 2007. "Não há qualquer hipótese de que o diálogo seja retomado, todas as portas estão fechadas e a única possibilidade para a esquerda independentista [Batasuna] é convencer a ETA a abandonar as armas", disse ontem o número dois dos socialistas, José Blanco. Nos últimos 15 meses, Otegi manteve-se discreto, falando apenas uma vez, para o jornal basco Gara, para apelar à reabertura do processo de paz. Segundo fontes do El País, Otegi não tem intenções de se reintegrar na política activa. Contudo, a Batasuna desmentiu essa informação. O porta-voz da Batasuna cumpriu pena por "apologia ao terrorismo" após participar numa homenagem a Argala, figura histórica da ETA, em Dezembro de 2003. Mas depois de cumprir 15 meses de prisão não está livre da Justiça espanhola. Otegi tem outros quatro processos pendentes, incluindo um com outros 40 membros da Batasuna pela sua ligação à ETA, pelo qual pode ser condenado a 14 anos de prisão. Questionado sobre os seus planos futuros, Otegi respondeu ontem em francês: "On verra" ("vamos ver"). Segundo o El Mundo, o ex-porta-voz da Batasuna terá pedido autorização à Audiência Nacional para passar uma semana de férias em Itália, tendo a luz verde do Ministério Público. A Associação das Vítimas do Terrorismo alertou para o perigo de fuga e pediu para que o ex-recluso seja colocado sob vigilância policial.

6 comentários:

Mario disse...

Os Bascos, assim como qualquer outra nação tem seus direitos, mas precisam apoiar suas causas de forma mais democrática e pacífica

Amanda De Angeli disse...

o ETA, diferentemente do Ira, é um conflito armado, dentro de um país, que quer independencia do seu "país". ainda estão armados e lutam pelos seus ideais!

Jessica Mathielo disse...

O ETA eh um grupo separatista que atua no interior de um estado, de conflito extritamente territorial. Os Bascos possuem uma cultura tradicional e de lingua desconhecida. A causa ainda eh critica e o grupo ainda nao se desarmou, o que nao o torna um grupo politico, dificultando a paz.

Pedro Henrique disse...

Um conflito de grandes proporções mais sem necessidade de estar ocorrendo

Anônimo disse...

Liberdad!

http://camponesesdealtitude.blogspot.com/2011/05/nossa-historia.html

Anônimo disse...

liberdade sim, mas não libertinagem