segunda-feira, 19 de outubro de 2009

FOCO 23: SEPARATISMO DO POVO MAPUCHE, NO CHILE !

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, enviou ao Congresso na semana passada projeto que cria um ministério para assuntos indígenas e anunciou a distribuição de 10 mil hectares de terras aos mapuches, a principal etnia chilena.
A reportagem é de Flávia Marreiro e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 18-10-2009.
O governo também propôs uma reforma constitucional para reconhecer os indígenas, já que a Carta chilena é a única na região a não fazê-lo.
Mas nem as medidas nem o discurso da esquerdista moderada Bachelet, que defende um novo "pacto multicultural", são suficientes para dissipar a desconfiança dos mapuches.
Os anúncios ocorrem em meio a mais uma onda de protestos na região de Araucanía, no centro-sul, que concentra os mapuches da área rural. Segundo o censo de 2002, são 600 mil mapuches em todo o país, ou 4% da população; 27% vivem na periferia de Santiago.
Araucanía é palco de conflitos entre indígenas e responsáveis por projetos energéticos, de exploração mineira e florestal. Em agosto, a tensão recrudesceu após a morte do mapuche Jaime Mendoza, 24, por um policial, numa ação de reintegração de posse.
À comoção por Mendoza se juntou a ameaça do governo de voltar a invocar a lei antiterror contra quatro mapuches acusados de queimar um caminhão e de atacar um posto de pedágio.
Se isso ocorrer, será a primeira vez que, sob Bachelet, a norma, uma herança da ditadura, será aplicada. A lei prevê penas muito mais duras, além de proibir liberdade condicional, critica a ONU. "Fala-se de "incêndio terrorista", mas só se aplica aos mapuches. Quando estudantes lançam coquetéis molotov é desordem social", diz o analista Raúl Sohr. "Há quase uma atitude racista na aplicação."
Os mapuches exigem respeito à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, que acaba de entrar em vigor no país e prevê consulta das comunidades antes da exploração de seus territórios. "O governo trata a questão pelo viés policial ou do talão de cheques. Só 5% das terras ancestrais estão conosco", critica o historiador mapuche Pablo Mariman.
No Chile, a principal política do governo é comprar terras e entregá-las aos indígenas. A maioria dos programas foca o engajamento das comunidades em empreendimentos produtivos públicos e privados.

domingo, 2 de agosto de 2009

FOCO 01 : QUESTÃO DO PAÍS BASCO

MADRI (Reuters) - Numerosas manifestações silenciosas em toda a Espanha condenaram na sexta-feira o mais recente atentado atribuído ao grupo separatista basco ETA, em Maiorca, onde foi celebrada uma missa de corpo presente pelos dois guardas civis assassinados na véspera.
O Parlamento nacional, o Parlamento catalão e numerosas prefeituras - inclusive as de Palma de Maiorca, local do atentado, Burgos e Pamplona, cidades natais dos agentes assassinados - fizeram cinco minutos de silêncio para condenar as mortes de Diego Salvá, de 27 anos, e Carlos Sáenz de Tejada, de 29.
O jipe onde eles estavam explodiu na localidade de Palmanova, município de Calvià, um dos mais turísticos de Maiorca, uma ilha do Mediterrâneo. Na véspera, o ETA havia tentado realizar um ataque contra um quartel da Guarda Civil em Burgos, a centenas de quilômetros de distância.
As ações coincidem com o 50o. aniversário da fundação do grupo armado ETA. "Junto à mais firme repulsa e condenação, queremos fazer chegar de coração nosso mais profundo pesar a seus familiares, amigos e colegas, assim como toda nossa solidariedade aos afetados", disse o rei Juan Carlos na ilha da Madeira (Portugal), onde está em visita oficial.
O presidente de governo (primeiro-ministro) espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, e o líder da oposição, Mariano Rajoy, compareceram ao velório no Palácio de la Almudaina, próximo à catedral de Palma, onde pouco depois ocorreu a missa, com a presença dos príncipes de Astúrias. Populares vaiaram políticos e deram vivas à Guarda Civil. Zapatero concedeu postumamente a Cruz de Ouro ao Mérito para os agentes assassinados.
"(Os assassinos) nos causaram um grande sofrimento pessoal para todos os cidadãos de bem, mas não conseguiram nem sequer roçar nossa firmeza, nem mesmo arranhar nossa determinação de acabar de uma vez por todas com o terrorismo", disse a vice-presidente de governo, María Teresa Fernández de la Vega.
As autoridades ainda não deram detalhes das investigações, mas na sexta-feira o Ministério do Interior divulgou um comunicado com as fotos de seis jovens procurados.
De la Vega disse que "as forças de segurança do Estado já seguem os passos" de dois indivíduos, os quais "já sabem, têm os dias contados". (Reportagem de Inmaculada Sanz)

domingo, 21 de junho de 2009

CAUSAS DAS TENSÕES MUNDIAIS !

O MAPA ABAIXO REFLERE-SE A PROPORÇÃO DA FOME EM VÁRIOS PAÍSES DO MUNDO!
SEMPRE RELATO QUE A FOME PODE LEVAR MILHARES DE PESSOAS A AÇÕES INUSITADAS... POIS BEM... COM A REPORTAGEM ABAIXO, PODEMOS PERCEBER QUE A MESMA GERARÁ MUITAS TENSÕES EM TODAS AS PARTES DO MUNDO...


QUESTÕES ÉTNICAS GERARÃO CONFLITOS...


A FOME ESTÁ PRESENTE NESTE QUESITO..


QUESTÕES NACIONALISTAS GERAM CONFLITOS,


MAS A FOME AUMENTA ESTA REALIDADE...


A crise econômica fará com que o número de famintos ultrapasse, pela primeira vez, a marca de 1 bilhão de pessoas em 2009. A estimativa, publicada ontem, é da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).
A reportagem é de Jamil Chade e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 20-06-2009.
Segundo a entidade, toda semana cerca de 1 milhão de pessoas ingressam nesse exército de famintos. Por isso, já não se acredita mais que será cumprida a meta de redução da fome pela metade até 2015.
Em 1996, quando a FAO contava 840 milhões de famintos, as Nações Unidas se comprometeram a reduzir esse número para 420 milhões até 2015. "Pela primeira vez na história da humanidade, 1,02 bilhão sofrerão de desnutrição em todo o mundo", lamentou o diretor da FAO, Jacques Diouf.
Uma das opções da ONU é adiar a meta para 2025. Mas isso ainda significa o fracasso das estratégias da ONU e das cúpulas que trataram do assunto. A FAO anunciou ontem que convoca para novembro uma reunião de chefes de Estado para tratar do assunto e conseguir investimentos para a agricultura. Diouf acredita que essa será a forma de superar a fome.
Para a a diretora do Programa da ONU para Alimentos, Josette Sheeran, apenas 1% do dinheiro dado aos bancos nesta crise financeira já resolveria o problema. Mas, sem verba suficiente, a FAO está sendo obrigada a cortar os alimentos distribuídos em Uganda, na Etiópia e em outros países pobres.
"Tenho só 25% do orçamento necessário para alimentar os mais necessitados", disse a diretora, acrescentando que precisa de US$ 6 bilhões, um terço do que receberam as empresas automotivas nos Estados Unidos.
Segundo ela, entre 1969 e 2000 a proporção de famintos no mundo passou de 37% da população mundial para 18%. Hoje, está em 15% e em expansão. "Essa tendência de queda foi revertida", disse ela. A FAO define como subnutrida a pessoa que ingere menos de 1,8 mil calorias por dia.
O aumento do número de famintos começou em 2008, em razão da crise de alimentos. A atual recessão fez com que as remessas de dinheiro dos imigrantes para as famílias diminuíssem, além de secar os investimentos e as doações.
O resultado foi o aumento de mais de 100 milhões no número de famintos em 2008 e é o que se prevê para este ano. O aumento previsto é de 11%. Em termos absolutos, o diretor da Divisão de Desenvolvimento Econômico Agrícola da FAO, Kostas Stamoulis, insiste que essa é a primeira vez na história que o mundo tem tantos famintos.
A constatação da FAO é que o mundo vive uma contradição, já que 2009 terá uma das maiores safras agrícolas da história. "Não há falta de comida, há falta de acesso. O problema não é um desastre natural nem de safra. O problema é econômico. É o resultado do desemprego, da queda de renda", afirmou Diouf.
Segundo Josette, o problema é que a crise alimentar não foi superada nem com a recessão nem com a queda dos preços de produtos agrícolas. Nos países mais pobres, os alimentos continuam 80% mais caros que há dois anos. Numa média mundial, o preço é 24% acima do que estava em 2006. Nesta semana, a FAO relevou que os preços das commodities devem aumentar entre 10% e 30% nos próximos dez anos.
Outro alerta da FAO é que a fome pode voltar a ser um fator de insegurança. "A fome é um risco real para a paz", disse Diouf. "Um faminto tem três opções: protestar, migrar ou morrer de fome."
AMÉRICA LATINA
Segundo a FAO, o fenômeno do aumento da fome é global e a América Latina será muito afetada. A região deverá contar com 53 milhões de famintos este ano, 12,8% mais que em 2008. Na Ásia, que tem hoje 642 milhões de famintos, verá esse número crescer 10,5% %. A África vem a seguir, com mais 11,8% e um total de 265 milhões.
Os países ricos continuam com uma parcela dos famintos, cerca de 15 milhões. Mas, pela primeira vez em 40 anos, terão aumento de 15,4%, em razão do desemprego em massa decorrente da recessão, sobretudo nas grandes cidades. Mas os agricultores também estarão entras as vítimas.
ANTIGAS SOLUÇÕES
O que mais incomoda a FAO é que planos, estratégias e programas para acabar com a fome são conhecidos. "O que temos hoje é um problema político, de falta de prioridade. Os líderes mundiais precisam tomar decisões corajosas de erradicar a fome", defendeu Diouf.
A razão do recado do diretor da FAO é que falta apenas um mês para a reunião de cúpula dos chefes de Estado e de governo do grupo dos países mais ricos, o G-8, na Itália.
Há 30 anos, 20% de toda a ajuda dada pelos países ricos aos pobres ia para o setor agrícola. Hoje, essa taxa é de apenas 3%. A FAO sugere que seja estabelecido uma prioridade de governos para que invistam na pequena agricultura nos países em desenvolvimento, onde estariam 2 bilhões de pessoas.
"Essa é a uma crise de proporções épicas. Não está na hora de cortes nos investimentos para o pequeno agricultor. Precisamos de uma maior produção", disse Josette.
Outra insistência é para que governos passem a adotar estratégias de criação de redes sociais para aqueles que passam fome. Segundo Josette, 80% da população mundial hoje não tem nenhuma ajuda social se perder a renda.
Mas Matthew Wyatt, consultor do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, alerta que a recessão colocou novas restrições para os orçamentos dos governos, o que pode ampliar o problema da fome.
"Nunca tivemos em números absolutos tantos famintos no mundo como hoje. Esses dados são chocantes e esperamos que choquem os líderes", disse. Ele sugere que pacotes de estímulo criados por governos deem uma atenção especial a pequenos fazendeiros.

domingo, 17 de maio de 2009

FOCO 31: CONFLITO NO SRI LANKA ! A SITUAÇÃO TENDE A MELHORAR OU

Os rebeldes do grupo Tigres para a Libertação do Eelam Tamil (LTTE), do Sri Lanka, anunciaram neste domingo (17) que vão "silenciar as armas" depois de mais de 25 anos de combates.
O anúncio foi feito em comunicado no site oficial pró-rebeldes e é assinado por Selvarajah Pathmanathan, chefe de relações internacional do gropo. Nele, o grupo diz que se encontra em um beco sem saída em sua guerra contra o governo.

"Só temos uma última escolha: remover a última desculpa de nosso inimigo para matar nosso povo. Nós decidimos silenciar nossas armas", diz o texto.
O anúncio foi feito em comunicado no site oficial pró-rebeldes e é assinado por Selvarajah Pathmanathan, chefe de relações internacional do gripo. Nele, o grupo diz que se encontra em um beco sem saída em sua guerra contra o governo.
"Só temos uma última escolha: remover a última desculpa de nosso inimigo para matar nosso povo. Nós decidimos silenciar nossas armas", diz o texto.
"Esta batalha chegou a seu amargo final. Contra qualquer previsão, contivemos as forças cingalesas sem ajuda, exceto o apoio sem fim de nosso povo", diz a nota. Pathmanathan também denunciou que, nas últimas 24 horas, 3 mil civis tâmeis morreram e outros 25 mil sofreram ferimentos e não dispõem de "atendimento médico". "É nosso povo que está morrendo por causa das bombas, dos ataques, das doenças e da fome. Não podemos permitir que sofram mais danos", disse o líder guerrilheiro, em sua extensa mensagem. "Não aguentamos mais ver o derramamento de sangue de nosso povo", afirmou. O Exército cingalês disse ter "resgatado" os 50 mil civis que os LTTE tinha como "reféns" no nordeste da ilha, apesar de, pouco antes, ter estimado o total em um máximo de 20 mil. Os militares também afirmaram que estão "liquidando" os rebeldes.

Cantando vitória
No sábado, o presidente do Sri Lanka, Mahinda Rajapakse, declarou na Jordânia que seu país havia "esmagado o terrorismo", em referência à suposta vitória do Exército sobre os rebeldes.Antes das declarações do presidente, o Exército anunciou que havia tirado dos rebeldes sua última saída para o mar e que os Tigres estavam cercados em uma zona de 3,5 quilômetros quadrados no nordeste da ilha.

sábado, 11 de abril de 2009

FOCO 17: A TRANSNÍSTRIA, DA MOLDÁVIA: TENSÕES ENTRE MOLDÁVIA E ROMÊNIA !

Moldova acusa a Romênia de estar por trás da revolta dos jovens
Pilar BonetEm Kichinev (Moldova) EL PAÍS
O presidente da Moldova, o comunista Vladimir Voronin, internacionalizou na quarta-feira a crise política e os tumultos de rua depois das eleições legislativas de domingo ao acusar a Romênia de instigar as desordens, declarar "persona non grata" o embaixador de Bucareste, Filipp Teodorescu, e estabelecer um visto obrigatório para os romenos que viajam à Moldova.
Tumultos na Moldova
As tensões que culminaram na terça-feira com o saque ao Parlamento e à Presidência continuaram ontem à noite em uma manifestação diante da sede do governo, que continuará hoje. Em uma nova mensagem pela internet, os moldávios foram convocados na sexta-feira para a grande manifestação contra os comunistas diante do Parlamento.Segundo os dados definitivos anunciados ontem, os comunistas têm 60 assentos (de um total de 101), e por isso não têm a maioria necessária para eleger isoladamente o chefe do Estado. Voronin advertiu ontem que as forças de segurança utilizariam a partir de agora seu direito à violência para repelir as agressões contra as instituições do Estado.
Os líderes das três formações de oposição classificadas nas urnas, Vlad Filat, do Partido Liberal Democrático, Dorin Chirtoaca, do Partido Liberal, e Serafim Urechean, da Aliança Nossa Moldova, se reuniram ontem para combinar sua atuação.A grande dificuldade para canalizar a multidão e evitar a violência é a falta de coordenação e a desconfiança mútua entre os três protagonistas da crise: as autoridades comunistas, a nova oposição parlamentar e os jovens. As autoridades insistem no procedimento legal habitual para investigar as irregularidades eleitorais. Filat afirmou ontem que isso levará à repetição da votação e insistiu que deve ser feito antes da distribuição de assentos parlamentares.
Os jovens são um conjunto heterogêneo em que há estudantes universitários e secundaristas. Não parece que haja um movimento estudantil global e estruturado que assuma responsabilidades, mas os inspiradores do comício pacífico da noite de segunda-feira reuniram representantes de 16 grupos que na tarde de terça constituíram a Coalizão Popular Anticomunista 2009.
Em nome dessa entidade, "que não se identifica com nenhum partido político", assinaram uma declaração na qual exigem a anulação das eleições, liberdade de imprensa e a libertação dos detidos.Os políticos olham com desconfiança para os que dizem ter levado à rua 15 mil pessoas (em vez das 300 previstas) apenas com os telefones celulares e as redes sociais como Facebook e Twitter. Enquanto uns e outros negam a responsabilidade pelos desmandos de terça-feira, crescem os descontrolados. "Tive muito trabalho para evitar que assaltassem a televisão", disse Filat. "Os partidos de oposição não tinham nem microfone", indicou a jornalista Natalia Morar, uma das seis convocadoras da manifestação de segunda. Guenadie Brega, outro jovem convocador, está "refugiado na embaixada da Romênia", segundo Morar.
A promotoria informou sobre a detenção de 200 pessoas.Voronin anunciou suas medidas contra a Romênia diante de representantes do governo e de instituições acadêmicas. Os cidadãos da UE viajam para a Moldova sem visto, e a introdução dessa exigência para os romenos pode causar problemas à sociedade, já que muitos moldávios também têm passaporte romeno e se sentem culturalmente romenos.A maior parte do território da Moldova está na Bessarábia, uma região que pertenceu à Romênia. Bucareste ofereceu a nacionalidade aos moldávios com raízes na Bessarábia e recebeu 800 mil pedidos, o que corresponde em grande parte à oportunidade de ter acesso ao mercado de trabalho da União Europeia. Fontes próximas ao governo calculam que pode haver 32 mil moldávios com nacionalidade romena.
Referindo-se às medidas contra a Romênia, Voronin disse que se trata de "um passo político para que os romenos entendam que nós temos nosso Estado independente, a República da Moldova, e que não metam o nariz em nossos assuntos". "Nossa paciência tem limite", disse o presidente, que acusou a oposição de tentar um golpe de estado e ter uma atitude "antiestatal". Voronin expressou na essência suas dificuldades para que seu país, surgido do desmoronamento da União Soviética, se cristalize como Estado por si só, diante de um vizinho que influi poderosamente na forma de identificação dos jovens. Daí suas críticas às autoridades acadêmicas pela educação dos estudantes.
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

09/04/2009 - 02h43, LE MONDE
A Moldova à beira da asfixia econômica
Alexandre BilletteEnviado especial a Kichinev (Moldova)
Em Kichinev, capital da pequena Moldova, o número de canteiros de obras em construção engana. Longe de refletir a verdadeira saúde econômica do país - à beira da asfixia -, as fachadas restauradas indicam somente que o proprietário foi trabalhar no exterior. Esse movimento migratório em massa manteve a Moldova desde a queda da URSS em 1991. Mas por quanto tempo ainda?
País essencialmente agrícola, o antigo "celeiro de frutos" da União Soviética corre o risco de sofrer fortemente as consequências da crise econômica mundial. Pois a Moldova sofre de uma hemorragia demográfica. Em 2008, por falta de emprego, pelo menos 350 mil moldávios foram ganhar a vida no exterior, ou seja, 10% da população total, 25% dos economicamente ativos."No ano passado, as remessas bancárias para a Moldova, dos trabalhadores no exterior, giravam em torno de ? 1,22 bilhões (R$ 3,56 bilhões); 38% do PIB", explica Ghenadie Credu, da Organização Internacional para as Migrações (OIM). No mundo, somente o Tadjiquistão depende mais de seus trabalhadores expatriados.Com a crise econômica, a diminuição das transferências de fundos, e até o retorno dos trabalhadores imigrantes, poderia desestabilizar esse país cercado pela Romênia e pela Ucrânia. "É uma bomba-relógio social", avisa Credu. Os moldávios que tomaram o rumo da Europa provavelmente vão ficar por lá, mas 60% dos imigrantes trabalham na Rússia e na Ucrânia, sobretudo no setor de construção. Eles voltaram neste inverno, e com a crise, eles correm o risco de ficar aqui, por falta de coisa melhor".
Mas é inútil procurar uma referência para esse fenômeno durante a campanha para as eleições parlamentares do dia 5 de abril, marcadas por uma vitória esmagadora do Partido Comunista Moldávio (PCM), no poder em Kichinev desde 2001. "As autoridades fingem ignorar a crise", observa Vasile Botnaru, redator-chefe da Radio Free Europe.
Oposição dividida
O partido do presidente Vladimir Vornine preferiu exaltar a "estabilidade" da Moldova, "no caminho para a integração europeia". Uma estabilidade que tem um preço: "Para manter o leu (a moeda nacional) estável até a votação, as autoridades recorreram às reservas de divisas", explica Botnaru.
Em três meses, o Banco Central teria gasto um terço de seus US$ 100 milhões; alguns chegam a afirmar em Kichinev que há risco de falência.A oposição liberal poderia aproveitar esse contexto econômico degradado. Mas ela se dividiu, destroçando-se em dez formações diferentes. Vasile Botnaru questiona: "E se a oposição preferiu abrir mão em favor dos comunistas, para não ter de administrar as consequências desastrosas da crise?"Mal organizada e sem líder, a oposição liberal não soube mostrar sua diferença. Todos os partidos - inclusive os comunistas - são a favor da integração europeia; todos pedem pela volta ao domínio moldávio da Transnístria, região separatista sustentada por Moscou desde 1991.
Em época de crise, a corrida eleitoral adquiriu um tom populista: os comunistas prometeram um aumento de 20% das aposentadorias a partir de abril; os liberais responderam anunciando um salário médio de "? 500 (R$ 1.460) por mês", contra os atuais 174.Mas neste jogo, os comunistas foram mais convincentes. Resultado: no domingo à noite, a oposição se viu com menos de 35% dos votos. "É melhor lidar com os comunistas de Voronine e induzi-los àquilo que eles têm de parecido conosco, pouco a pouco, do que estar diante de um interlocutor dúbio", reconhece um diplomata europeu em Kichinev.
A dissolução da oposição não é a única explicação para o maremoto eleitoral dos comunistas. A utilização dos "recursos administrativos" do Estado e a influência do PCM sobre a maior parte da mídia lhe permitiu dominar seus adversários. "Foi a campanha mais suja dos últimos dez anos", diz uma jornalista da Pro-TV, filial de um canal de televisão romeno e principal emissora da oposição, cuja licença de exploração quase não foi renovada em dezembro de 2008.Desde o anúncio dos resultados, o índice de participação de 60% anunciado pelas autoridades durante a votação de domingo foi apresentado como uma prova de falsificação.
Uma vez que centenas de milhares de moldávios no exterior não puderam votar, por falta de representação diplomática em seus países, a participação anunciada significaria que 80% dos eleitores na Moldova teriam comparecido às urnas. Uma porcentagem considerada estranha pela oposição.Claro, o eleitorado comunista tradicional - especialmente os aposentados e os camponeses - se manteve fiel aos seus ideais. Mas a intelligentsia da capital e os estudantes se sentem cada vez menos à vontade na Moldova de Vladimir Voronine, perplexos pelas manobras diplomáticas do regime entre Bruxelas e Moscou. Para eles, as promessas de "estabilidade" do PCM são só um sinônimo de inércia. Na segunda-feira (6), eles engrossaram os batalhões de manifestantes que invadiram as ruas de Kichinev, pilharam o Parlamento e apedrejaram a presidência.
Tradução: Lana Lim