sábado, 27 de setembro de 2008

FOCO 43: OS CONFLITOS NA ETIÓPIA !

O mapa acima se refere à Etiópia, ou Ethiopia, a Abissínia da Antigüidade, país do norte-oriental da África, ou do chamado Chifre da África. O nome do país vem do nome do soberano Etiópis, cujo reinado data de 1856 a.C. (IRIE, 2001 - p 21). As origens de sua unificação como Império, podem ser encontradas mais tarde, cerca 900 anos antes de Cristo, quando teve início a dinastia do trono etíope, com o Rei Menelik I que, segundo a "lenda" histórica, seria filho do Rei Salomão, o Rei Hebreu da Bíblia judaico-cristã, com a Rainha Sheba, ou Rainha de Sabá, governante de Shoa, terras abissínias. Menelik I foi o fundador e primeiro rei do Império de Askum, semente da Etiópia atual.
Os primeiros habitantes do território etíope pertenciam a variadas etnias entre as quais predominavam os semitas árabes. A herança de Salomão, que a História comprova por meio de numeroso documentos, (como escrituras sagradas judaico-cristãs, apócrifas e canônicas) evidencia-se na forte presença de elementos da cultura judaica que a Bíblia Africana, o Kebra Negast (Glória dos Reis) explica como resultado de uma viagem empreendida por Menelik I à Israel, justamente para conhecer seu pai, Salomão, e ele com aprender a Ciência Política e os princípios da sabedoria e da religião.

Em 1520, chegaram ao reino da Etiópia e posteriormente ajudaram os etíopes a repelir uma invasão muçulmana. Com os portugueses vieram também os jesuítas, que tentaram converter todo o reino à fé católica e quase tiveram êxito. O imperador Sussênio estava disposto a se converter, mas as exigências dos jesuítas e o descontentamento da população, arraigada à antiga fé, forçaram o monarca a abdicar em 1632. Os missionários católicos foram expulsos e a capital do império transferiu-se para Gondar. Nos séculos seguintes instaurou-se na Etiópia um sistema feudal em que o poder era exercido por grandes senhores, denominados ras. Nesse período, a influência portuguesa aumentou e os ataques egípcios tornaram-se mais freqüentes. Em meados do século XIX, um chefe da guerrilha contra os egípcios, Kassa, se fez proclamar imperador, sob o nome de Teodoro II, recuperou territórios perdidos e restabeleceu a ordem no país. Começava, então, a unificação da Etiópia moderna. Para modernizar seu reino, o imperador estabeleceu relações com os ingleses, mas vários conflitos - incidentes diplomáticos e atividades dos missionários protestantes - levaram à ruptura com o Reino Unido.

Em 1867, tropas inglesas invadiram o país e, no ano seguinte, ante a iminência da derrota, o imperador suicidou-se. O turbulento período que sobreveio à morte de Teodoro II durou até 1889, ano em que Menelik II ocupou o trono. O imperador concluiu a unificação territorial, cuidou da modernização do país e fundou uma nova capital em Adis Abeba. Nessa época, os italianos já haviam começado a controlar a Eritréia, mas Menelik II conseguiu detê-los na batalha de Adua em 1896. Em 1906, França, Reino Unido e Itália assinaram um acordo pelo qual dividiam a Etiópia em três zonas de influência econômica, embora se respeitasse a integridade do território etíope. Hemiplégico, Menelik II abdicou em 1907 e voltaram as desordens. Morta a imperatriz Zauditu, filha de Menelik, o ras Tafari, sobrinho-neto de Menelik, foi coroado imperador em 1930, sob o nome de Hailé Selassié I, que significa "a força da Trindade". Em 1931, o imperador proclamou uma constituição que lhe outorgava poder absoluto por direito divino e estabeleceu um parlamento consultivo bicameral. A Itália invadiu a Etiópia em 1935 e ocupou a maior parte do país até 1941, ano em que ocorreu a libertação pelas tropas inglesas e francesas. Hailé Selassié reassumiu o governo e começou então uma fase de reformas políticas e de modernização econômica. Em 1952, a Eritréia uniu-se à Etiópia como estado federado, transformado em província do reino em 1962. O imperador manteve seu programa de modernização do país e, em 1955, proclamou nova constituição. Em 1973 o descontentamento era geral. A existência de vários focos de conflito na Eritréia e na fronteira com a Somália, o castigo da seca e da fome, a corrupção governamental e a dureza de que lançou mão o imperador para reprimir os conflitos criaram uma situação de freqüentes choques políticos. O Exército, que aos poucos aumentara sua influência no governo, destituiu o imperador em 12 de setembro de 1974. Em 1975, a monarquia foi abolida e proclamou-se a república socialista. A partir desse momento, instaurou-se um Conselho Administrativo Militar Provisório (CAMP), popularmente chamado de Deurg, presidido pelo chefe de estado, general Teferi Benti. O governo adotou uma ideologia marxista-leninista e, em 1977, Mengistu Hailé Mariam tornou-se chefe de estado. Uma vez constituído o governo militar, este realizou uma reforma agrária e nacionalizou as empresas, mas logo surgiram complicações, como o descontentamento de chefes provinciais e os conflitos na Eritréia e Ogaden, que provocaram uma sangrenta guerra civil. Diante dos contínuos ataques da Somália, a Etiópia recorreu à ajuda soviética e cubana e assim conseguiu derrotar o país vizinho. Em 1990, com a dissolução da União Soviética, Mengistu perdeu seu principal aliado internacional. No ano seguinte, teve de deixar o país em conseqüência do avanço das forças da Frente Democrática Revolucionária do Povo Etíope (FDRPE). Um governo provisório assumiu o controle de todo o país, mas permitiu uma administração autônoma na Eritréia, então dominada pela Frente Popular de Libertação da Eritréia. Em maio de 1993 a Eritréia tornou-se independente, depois de um plebiscito em que 99,8% dos votantes optaram pela separação.

Em 1991, o poder executivo, que no regime de Mengistu era exercido pelo comitê central do CAMP, passou a um governo provisório assistido por uma câmara legislativa, o Conselho de Representantes. Meles Zenawi, dirigente da FDRPE, assumiu a presidência da república. A Etiópia se divide em regiões administrativas, que se subdividem em províncias e distritos. Cada região desfruta de certa autonomia, que se deve mais às dificuldades topográficas e de comunicação que a uma verdadeira política descentralizadora. Sociedade e cultura. O predomínio da agricultura de subsistência, o subdesenvolvimento, a precária infra-estrutura, as exportações pouco diversificadas e a ausência de capital nacional são fatores de pauperismo no país. Além do subdesenvolvimento, o flagelo da seca e os permanentes conflitos internos, em particular os movimentos separatistas, e externos, como os que ocorrem na fronteira com a Somália, dizimam e consomem a população etíope. Grande parte da população pertence à Igreja Ortodoxa da Etiópia, antes associada à Igreja Copta do Egito, que professa um cristianismo monofisista (defende a natureza única de Jesus Cristo). Existe, além disso, um grupo importante de muçulmanos e outros menores de animistas, cristãos não-ortodoxos e judeus. Os meios de comunicação, tanto os jornais, cuja publicação se centraliza em Adis Abeba, como a televisão e o rádio, se acham sob controle do governo. O mais popular deles é o rádio, que juntamente com a televisão transmite programas em vários idiomas - amárico, inglês, somali e árabe. A religião cristã nacional dominou historicamente a vida cultural etíope. Tanto na pintura como na literatura abundam os temas religiosos. As línguas dominantes na literatura etíope foram o gêes, que continua sendo utilizado na liturgia da igreja, e o amárico, língua tradicional da corte, oficial no país. O governo militar tentou criar condições propícias para o uso de todas as línguas e a prática de hábitos culturais próprios de cada grupo, a fim de fortalecer a unidade nacional e desencorajar o separatismo.

CONFLITO COM ERITRÉIA
Entre os conflitos regionais seculares, nos quais, hoje, guerrilhas são freqüentes, destaca-se a questão da Eritréia. A Eritréia é uma pequena faixa de terras litorâneas no nordeste da Etiópia, às margens do Mar Vermelho. Em diferentes períodos históricos foi anexada e desmembrada por sucessivos movimentos políticos. Em 1960, o imperador etíope Haile Selassie, sucessor de Menelik II, conseguiu reintegrá-la ao território temporariamente. O domínio caiu mas foi recuperado pelo governo militar que substituiu Selassie e converteu o país em Estado Socialista. A importância da Eritréia reside no fato daquela área ser a única "porta para o mar" possível para a Etiópia. Atualmente, o problema continua. O governo etíope foi contestado ativamente pela Frente Popular Marxista de Libertação da Eritréia, organização nacionalista, militar e política. A Eritréia tornou-se um país independente da Etiópia em 1993. Entretanto, na região de Ogaden, somalis ainda reivindicam autonomia.
NOTÍCIAS ATUAIS SOBRE O TEMA
Jornais Junho de 2008
Cerca de 4,5 milhões de etíopes estão ameaçados pela fome por causa da seca e de uma quebra nas safras agrícolas do país, além da inflação mundial nos preços dos alimentos, e precisam ajuda alimentar de emergência, advertem organizações internacionais. Mais de 126 mil crianças têm sérios problemas de desnutrição.É a pior crise na Etiópia desde 1984 a 1986, quando um milhão de pessoas morreram de fome em meio a uma guerra civil. As imagens de crianças e adultos em pele e osso provocaram uma comoção mundial. Com 78 milhões de habitantes, o país tem a segunda maior população da África.Um centro de nutrição infantil da organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras na cidade de Chachemene, no Oeste do Etiópia, está cheia de mães segurando filhos que não se sustentam em pé, com lábios rachados e olhar parado. Mitchu, uma menina de três anos, pesa cinco quilos, pouco mais do que um bebê saudável. Há duas semanas, é alimentada a cada três horas há duas semanas. Mas não reage. Os médicos acham que ela vai morrer de fome e malária.O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas precisa de mais 180 mil toneladas de comida para atender às necessidades somente da Etiópia em 2008. Está pedindo mais US$ 150 milhões aos países ricos.

FOCO 42: OS CONFLITOS NA SOMÁLIA !

O mapa acima se refere à Somália, país do chamado "Chifre a África", localizada na porção centro-oriental do continente e é caracterizada historicamente por inúmeros conflitos de caráter étnico, fome crônica e condições climáticas de semi-aridez (parte da região está localizada no Sahel).

A Republica da Somália é o produto da união, realizada em 1960, de duas antigas colónias, a Somalilândia Britânica e a Somalilândia Italiana. Rapidamente, como ocorreu em tantas outras ex-colónias, o novo país, que conta com cerca de 7 milhões de habitantes, na sua maioria muçulmanos sunitas, entrou em caos quando Said Bare, um comandante militar ao serviço do governo democrático em funções desde 1960, toma de assalto, através de um golpe de estado em 1969, o poder no país, proclamando a instauração de um estado socialista. A Somália rapidamente degenera numa ditadura militar com Bare a lançar, em 1976, ofensivas militares à Etiópia numa tentativa de anexar a região do planalto de Ogaden cujos habitantes falam somali. No entanto a Etiópia resiste ás incursões de Bare conseguindo manter o domínio do planalto.
Em 1991 Mohammad Ali Mahdi substitui Bare no decurso de uma guerra entre clãs que, dividiu o país e perdura até hoje. Como consequência do golpe de estado de Mahdi, a capital, Mogadishu, passa a ser controlada pelo general Mohammad Farah Aidid. Em 1992, as Nações Unidas e os E.U.A enviam tropas para o país num esforço de capturar Aidid e estabilizar a região. Foi no decurso desta operação que ocorreu o famoso episódio em que a queda de um helicóptero Black Hawk, levou à morte de 18 soldados americanos, incidente após o qual os E.U.A retiraram as suas tropas do país, exemplo seguido pelas Nações Unidas em 1995.
Desde então, foi criado um governo de transição no país suportado pela Etiópia, o qual é ilegítimo aos olhos da maioria do povo somali, que vê neste um mero fantoche dos vizinhos etíopes. A influência verdadeira deste governo de transição, limita-se a uma pequena parcela do território somali, estando o restante território fragmentado entre os diferentes clãs comandados por senhores da guerra que se degladiam entre si pelo controlo das riquezas do país.
Em Junho de 2006, a União Tribunais Islâmicos (UTI), formada após vários empresários influentes de Mogadishu, terem fundado tribunais islâmicos, numa tentativa de impor a lei e ordem na cidade devastada por anos de conflitos pontuais entre clãs rivais, tomam o controlo da cidade e iniciam uma campanha de combate ás várias facções que espalham o caos pelo país, estendendo a sua influência a grande parte do sul do território da Somália, onde se localizam as maiores reservas de petróleo. Ao longo do resto do ano, forças etíopes, apoiadas pelos E.U.A, entram no território somali com o propósito de proteger o governo de transição da ameaça da UTI a qual, a Etiópia acusa de querer impor um estado islâmico na Somália, projeto esse apoiado pela Al-Qaeda como forma de expandir o fundamentalismo islâmico em África. No entanto a Etiópia só admite a realidade do seu conflito militar com a UTI a 24 de Dezembro 2006.
Á medida que o conflito se arrasta, a situação humanitária vai-se agravando com milhares de refugiados e mortos civis, resultado não só dos combates entre as forças opositoras, mas também, dos surtos de cólera registados entre os sobreviventes.
Entretanto os E.U.A levantam os embargos à aquisição de armas por parte da Etiópia, cujo fornecedor é, entre outros, a Coreia do Norte, de forma a permitir que esta se equipe para a sua luta contra a UTI. Washington está convencida, de que, a UTI dá refugio a militantes terroristas, e suporta a Etiópia na caça aos mesmos, tendo enviado para o terreno cerca de 200 agentes da CIA e FBI, que aí, estabeleceram locais de interrogatório para os combatentes que sejam identificados com a Al-Qaeda.
No entanto, até agora, apesar da tragédia humanitária que ocorre na Somália e dos milhares de desalojados, feridos e mortos devido aos bombardeamentos aéreos, ainda não foi provada a ligação de nenhum dos prisioneiros com a Al-Qaeda. Enquanto os E.U.A vão apoiando a campanha militar da Etiópia, o sentimento anti-americano vai-se intensificando e a adesão à causa da UTI vai ganhando terreno entre a população.
Chatham House, um “Think Tank” britânico da “Independent Royal Institute of International Affairs” conclui “Num desconfortável padrão familiar, genuína preocupação multilateral para apoiar a reconstrução e reabilitação da Somália, foi passada para segundo plano pelas ações unilaterais de outros atores internacionais, especialmente a Etiópia e os E.U.A, mais preocupados em seguir as suas próprias agendas de politica externa.”
No dia 23 de Janeiro de 2007, foi realizada uma cerimónia em Mogadishu, conquistada a 28 de Dezembro de 2006 pelas forças do governo de transição apoiadas pela Etiópia, que marca o inicio da retirada das tropas etíopes do território somali, supostamente assim sendo oficializado o fim das hostilidades, e da pretensão da UTI a substituir o governo de transição na Somália. No entanto tudo aponta que a UTI não desistiu do seu projeto, e, tanto quanto se sabe até agora, apenas cerca de 200 soldados Etíopes foram vistos a abandonar a Somália.
por André Saramago.

NOTÍCIAS RECENTES SOBRE O TEMA
Confrontos contra rebeldeConfrontos contra rebeldes deixam 9 mortos na Somália
Agencia Estado, 10/09/08
Combates pesados entre tropas etíopes e insurgentes islâmicos irromperam hoje em Mogadíscio, matando pelo menos nove somalis, afirmaram testemunhas. A luta recomeçou após apelos do fortalecido movimento islâmico para intensificar os ataques contra os etíopes no mês islâmico do Ramadã.
Os moradores dizem que cerca de cem militantes armados, gritando "Deus é grande", lançaram um ataque contra uma base de soldados etíopes e regulares do Exército da Somália no bairro de Huriwaa, no noroeste da capital do país.
O morador Abdiwali Mohamud contou que viu quatro civis mortos no fogo cruzado, em uma batalha que durou duas horas. Outro morador, Abdinur Sheikh, disse que viu os cadáveres de três insurgentes e de dois soldados somalis na rua. Salado Mahad, dono de um quiosque no mercado de Huriwaa, afirmou que os soldados etíopes atiraram contra um açougue no centro comercial, ferindo duas mulheres e quatro homens.Os insurgentes islâmicos lutam pelo controle de várias partes do país com o governo local, que é apoiado pelas Organização das Nações Unidas (ONU) e conta com a ajuda de tropas etíopes. Os confrontos ocorrem desde a expulsão dos islamitas da capital, em dezembro de 2006. Porém, a Somália não tem um governo que controla de fato o país desde 1991. Naquele ano, o ditador Mohammed Siad Barre foi derrubado por senhores de guerra, baseados em alianças de clãs. Em seguida, esses clãs começaram conflitos entre si.

FOCO 41: OS CONFLITOS NA ARGÉLIA !

O mapa acima se refere a Àrgélia, país da África Setentrional, e parte do Magreb.

Breve Histórico do Conflito na Argélia !
A Guerra da Argélia ocorreu entre 1954 e 1962, foi o conflito civil pela independência do país, tendo dois principais partidos revolucionários: o FLN (Frente de Libertação Nacional) e o MNA (Movimento Nacional Argelino). Embora ambos quisessem a proclamação de independência da Argélia, havia uma divergência entre os intransigentes da Argélia francesa e os seguidores da política desenvolvida pelo General De Gaullle. De fato surgiram duas guerras, uma contra o domínio francês e outra entre os dois partidos revolucionários argelinos. Quanto à guerra entre o principal partido, FLN, e a França, colonizadora do país desde 1830, foi marcada pelos ataques em massa, ataques terroristas de ambos os lados, além de torturas por parte do lado francês. Essas políticas da França foram escondidas da população francesa, que era claramente contra as crueldades, o governo francês censurou vários jornais e meios de comunicação para esconder a verdade. Na luta contra as correntes do partido MNA, o FLN venceu e após vários conflitos, a França teve que reconhecer a independência da Argélia em 5 de julho de 1962. Os enfrentamentos entre islâmicos e o governo argelino condicionam o presente e o futuro da Argélia, quatro décadas depois da proclamação da República Democrática em 1962.
A difícil luta pela independência (1954-1962) fortaleceu um movimento nacionalista integrado na Frente Nacional de Liberação (FLN) que se instalou no poder, estabelecendo um regime de partido único. As crises econômicas e políticas que assolaram o país, entretanto, fizeram com que dirigentes religiosos inserissem o radicalismo islâmico na vida argelina.
Em 30 de dezembro de 1991, os integrantes da Frente Islâmica de Salvação (FIS) ganharam o primeiro turno das eleições. Seu triunfo, porém, foi barrado pelos militares que obrigaram o presidente Chadli Benvedid a suspender o processo eleitoral, declarar a FIS ilegal e decretar estado de exceção. Diante dessa repressão, o Exército Islâmico de Salvação (EIS) constituiu-se como braço armado da FIS, concentrando seus ataques a alvos militares. Além disso, o Grupo Islâmico Armado (GIA) declarou guerra aos estrangeiros que viviam no país.
Após o golpe militar, Benvedid saiu do poder, que foi passado para o herói da independência Mohamed Budiaf, presidente do Alto Comitê de Estado (ACE), criado especialmente para contornar a crise política. Em 29 de julho de 1992, entretanto, Budiaf foi assassinado e o militar Belaid Abdesalam assumiu a presidência declarando guerra total à Frente Islâmica de Salvação. Desde então, o enfrentamento entre os extremistas islâmicos e as forças do governo tem sido constante, provocando 120 mortes.
Em janeiro de 1994, o Alto Comitê encerrou suas atividades. Foi criado, então, o Conselho Nacional de Transição (CNT), que, substituindo a Assembléia Nacional, impôs uma nova lei eleitoral. Em outubro desse mesmo ano foi eleito como presidente Liamin Zerual ,que assumiu o cargo conclamando a população a dar um basta nos confrontos político-religiosos no país. Para isso, convocou um referendo para modificar a Constituição de 1976 e excluir os partidos religiosos ou regionais.
Em 1997, o Exército Islâmico de Salvação decretou uma trégua unilateral. Porém, as matanças por parte dos grupos radicais continuaram. Dois anos depois, o presidente Abdelaziz Bouteflika concedeu a anistia para vários presos políticos. Numa consulta popular, o povo argelino pronunciou-se a favor da paz no país.
Porém, após a vitória da FLN nas eleições de 2002, em pleno 40º aniversário da independência da Argélia, o terrorismo islâmico voltou a assolar o país, deixando 35 mortos e 80 feridos. Os enfrentamentos entre o governo e os radicais islâmicos têm se mantido sem trégua até os dias atuais.
Atualmente a situação na Argélia continua a ser crítica, já que os massacres e atentados não cessaram. Apesar disso o poder político diz que a situação se encontra estabilizada, não negando porém a ajuda econômica da União Europeia e fazendo os possíveis para manter a cooperação euromediterrânica.
A população civil na Argélia é quem mais sofre, no entanto não se consegue apurar qual a sua verdadeira opinião, uma vez que na Argélia a população aterrorizada tenta tomar partido de uns ou de outros conforme a situação, uma vez que nesta guerra não se pode ser neutro, há que tentar jogar com as facções em conflito de forma a assegurar a sobrevivência, penso que é isso que a população argelina procura fazer, a resistência continua a ser a única forma encontrada pela população para atenuar os ataques terroristas. A necessidade de um pacto civil nacional será talvez a melhor alternativa uma vez que existem divergências de opinião quanto á ingerência internacional no conflito argelino, mas sobretudo devido á disseminação das facções em confronto.
Do ponto de vista do governo, os deputados argelinos têm- se mostrado divididos quanto à intervenção internacional no país. Apesar de considerarem que a situação tem de ser urgentemente alterada. Alguns dos próprios membros do partido criticam as forças de segurança, referindo-se " às medidas tardias face aos massacres e à lentidão com que se processa a ajuda aos refugiados das zonas mais afectadas pela violência". Enquanto alguns partidos defendem a ajuda externa, a FLN, propôs uma moção " em que se proclame a nossa recusa a qualquer tentativa de ingerência estrangeira", no entanto esta moção refere-se certamente à intervenção política, ou dos direitos humanos, uma vez que nada proferiram acerca da ajuda econômica.Como se pode constatar a situação da Argélia continua num impasse, sem resolução à vista pelo menos num futuro próximo.
NOTÍCIAS ATUAIS SOBRE O TEMA

Comunidade internacional condena ataque terrorista na Argélia 20/08/08
Uma escola de polícia militar na Província Boumerdes, no norte da Argélia, foi atacada ontem (19) pela manhã por um terrorista suicida, que matou dezenas de pessoas. A comunidade internacional condenou o ato.
Após o ataque, o ministro do Interior argelino, Yazid Zerhouni, advertiu que o povo tem que se precaver contra ataques terroristas e declarou que vai continuar a combater os extremistas no país. Foi o ataque que deixou mais mortos e feridos nos últimos meses na Argélia. Até agora, nenhuma organização reivindicou a autoria do ataque.
O porta-voz da chancelaria chinesa Qin Gang afirmou na coletiva de imprensa realizada em Beijing que o governo chinês condena também o ataque. Segundo ele, a China se opõe à qualquer forma de terrorismo e apoia firmemente as autoridades argelinas no combate ao terrorismo e na defesa da estabilidade nacional.
A Comissária Européia para as Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, condenou em declaração publicada no mesmo dia o ataque terrorista e manifestou sua condolência às vítimas, a seus familiares e ao governo argelino. A declaração disse que uma ação terrorista como esta não vai chegar a nenhum objetivo e sublinhou que a União Européia apóia o combate ao terrorismo da Argélia na base do respeito aos direitos humanos e de governar o país conforme a lei. Como representante da sua organização, o secretário-geral da OTAN, Jaap de Hoop Scheffer, afirmou no mesmo dia que a violência não pode ser perdoada e que a OTAN vai continuar a combater o terrorismo, conjuntamente com a Argélia e os países parceiros do Mediterrâneo da organização. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Andrei Nesterenko, disse ontem que condena fortemente o ataque terrorista ocorrido na Argélia e manifesta condolência aos familiares das vítimas.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

FOCO 40: AS TENSÕES EM SAARA OCIDENTAL, NO MARROCOS !

O Saara Ocidental é um país que existe de jure, mas não existe de facto. Quer dizer, as Nações Unidas consideram-no como um país independente ocupado, mas Marrocos mantém que o Saara Ocidental é parte integrante do seu território.Também denominado como República Árabe Saarauí Democrática (RASD), o Saara Ocidental é uma região árida e quase desértica, situada junto à costa noroeste de África, constituída por desertos pedregosos, em certas áreas, e arenosos, em outras. É limitado norte por Marrocos, a leste pela Argélia, a leste e sul pela Mauritânia e a oeste pelo Oceano Atlântico, por onde faz fronteira (marítima) com a região autónoma espanhola das Canárias. Como o nome indica, este país integra o deserto do Saará. É composto de oásis dispersos e pequenas manchas de pastagem pobre. Está dividido em duas regiões: Saguia al-Hamra e Rio de Oro. Por outro, lado possui uma das maiores reservas pesqueiras do mundo; e também possui as maiores jazidas de fosfatos, além de jazidas de cobre, urânio e ferro. A economia do Saara Ocidental é baseada principalmente na extracção e exportação de fosfato, cobre, ferro e urânio.
Em 2003, tinha cerca de 262 mil habitantes. A maioria dos sarauís - incluindo os refugiados na Argélia constitui uma mistura de árabes e berberes, quase todos muçulmanos. Falam árabe, berbere e castelhano. A sociedade do Saara Ocidental é essencialmente igualitária, não conhece outra autoridade para além da do chefe de família. As funções deste são principalmente sócio-religiosas. Não existe, portanto, o Estado como estrutura formal.

O povo saraui encontra as suas origens em vasto mosaico de tribos nómadas, berberes e árabes, de enraizadas tradições guerreiras, convertidas ao islamismo em no Sec. VIII d. C. Entre os seus mais célebres antepassados encontram-se os almorávidas que, entre o Sec. XI e o Sec. XII, se expandiram por vasto império e dominaram o Magreb ocidental e grande parte da Península Ibérica. O seu grande sentido de independência levou este povo, ao longo dos tempos, a resistir a todas as tentativas de dominação, quer dos portugueses (os primeiros colonizadores), quer dos sultões marroquinos, quer dos espanhóis, que apenas em 1936, com a ajuda de forças expedicionárias francesas, conseguiram submeter todo o território do Saara Ocidental. Até 1936, a colonização espanhola limitava-se a três pontos no litoral: El Aaiún, Cabo Juby, na província de Trafaya e Villa Cisneros.Em 1958, verificou-se uma insurreição generalizada no território; para enfrentar a rebelião, a Espanha, em conjunto com a França, organizou uma poderosa expedição militar, de mais de 14 mil homens e 130 aviões. E, se os objectivos dos espanhóis eram claros, ou seja, dominar o território, os desígnios do governo de França eram porventura mais sofisticados, mas porém não menos claros. Tinha em vista a França atingir a Argélia pela retaguarda, impedindo os independentistas argelinos de instalarem bases naquela colónia espanhola. Para compensar a colaboração nesta intervenção militar franco-espanhola, a Espanha cedeu a Marrocos Trafaya, a mais setentrional província do Saara Ocidental. Estimulados pelas pela independência dos países árabes do Magreb (Argélia, Líbia, Mauritânia e Tunísia) os nacionalistas saaruis, promoveram uma série de manifestações pacíficas, violentamente reprimidas, o que convenceu os dirigentes mais lúcidos da inevitabilidade da luta armada. Assim, em 10 de Maio de 1973, foi constituída a Frente Popular de Saguia el Hamra e Rio de Oiro – Frente Polisario - sob a direcção de El Uah Mustafá, posteriormente morto em combate.Entretanto, incentivada pelo sonho de um “Grande Marrocos”, as riquezas económicas descobertas no território saaurí (ferro, petróleo, gás natural e urânio) estimularam a cobiça da monarquia marroquina, que passou a reivindicar a soberania sobre o Saara Ocidental perante o Tribunal Internacional de Justiça de Haia. Porém, a alegação de Marrocos foi rejeitada pelo Tribunal Internacional de Justiça. Apesar disso, numa operação de propaganda, o rei Hassan de Marrocos promoveu uma alegada “marcha verde” sobre o território saaurí, ao abrigo da qual, em conivência com o governo espanhol, introduziu naquele território 11 batalhões de infantaria e blindados.Seis dias antes da morte de Franco, em 14 de Novembro de 1975, por acordo assinado em Madrid, a Espanha cedeu a Marrocos e à Mauritânia o Saara Ocidental, atraiçoando as aspirações do povo saraui, num acto que não encontra paralelo em toda a negra história do colonialismo europeu em África.

Quando, em 1975, a Espanha abandonou a sua antiga colónia, deixou atrás de si um país sem quaisquer infra-estruturas, com uma população completamente analfabeta e desprovida de tudo. O vazio criado pela Espanha foi aproveitado pela Mauritânia (que se se assenhorou de 1/3 do território) e por Marrocos (que ficou com o restante), ambos invocando direitos históricos.Os sarauís haviam, porém, fundado a Frente Polisário, que iria expulsar o pequeno exército da Mauritânia, numa guerra que arruinou aquele país. Em consequência, os militares mauritanos, em Junho de 1978, derrubaram o presidente do país e firmaram, poucos meses depois, um acordo de paz com a Frente Polisario. Escasso anos depois, a Mauritânia reconheceu a República Árabe Saarui Democrática (RASD), proclamada em 27 de Fevereiro de 1976.Frente a frente ficariam, nas areias do deserto, os guerrilheiros da Frente Polisário e as forças marroquinas de Hassan II. O exército marroquino retirou-se para uma zona restrita do deserto, mais próxima da sua fronteira e constituindo o chamado "triângulo de segurança", que compreende as duas únicas cidades costeiras e a zona dos fosfatos. A engenharia militar construiu aí um imenso muro de betão armado, por trás do qual os soldados marroquinos vivem entrincheirados, protegendo a extracção do minério.

No plano diplomático, em 1983, a Organização da Unidade Africana (OUA) reconheceu o direito do Saara Ocidental à autodeterminação e, um ano depois aceitou a RASD como membro, tendo, entretanto, sido reconhecida por 30 países africanos, 16 latino-americanos, 8 asiáticos, 6 da Oceânia e 1 europeu (a ex-Jugoslávia), no total de 61 países.Marrocos e a Frente Polisario disputam as simpatias europeias. Os saaruis recordam que os acordos de pesca celebrados pela União Europeia com Marrocos incluem as águas territoriais do Saara Ocidental, o que significa que tacitamente estão a reconhecer a marroquinização do território, mesmo antes da realização do referendo de autodeterminação, preconizado pela ONU, o que não deixa de ser condenável apesar da importância estratégica de Marrocos para a União Europeia.A verdade, porém, é que a Frente Polisario e Marrocos não se entenderam na questão do referendo: a Frente Polisario quer votação na base do último recenseamento, (74 500 eleitores) realizado pelos espanhóis; Marrocos pretende impor 120 000 eleitores (marroquinos no dizer da Frente Polisario) pretensamente refugiados sarauis em Marrocos e reinstalados no Saara sob a protecção das forças armadas marroquinas.O processo de recenseamento eleitoral tem tido pois o calcanhar de Aquiles do referendo, tendo sido objecto de diversos encontros bilaterais e conversações sob a égide da Organização das Nações Unidas sem que, até à data, pareça ter solução, no quadro de uma população fundamentalmente nómada e com interesses políticos opostos entre a Frente Polisario e Marrocos e a importância geoestratégica da região para o União Europeia e os Estados Unidos. Fonte:Wikipédia, Guia do Mundo


NOTÍCIAS SOBRE O TEMA
EUA querem ajudar a solucionar conflito do Saara Ocidental, 7 SET, RABAT (AFP) — A secretária de Estado americana, Condoleeza Rice, afirmou neste domingo que os Estados Unidos têm vontade de colaborar na solução do conflito no Saara Ocidental, ex-colônia espanhola alvo de disputa entre o Marrocos e os separatistas do Frente Polisario apoiados por Argel.
"Já é hora de acabar com este conflito", declarou Rice em Rabat em entrevista à imprensa junto com seu colega marroquino, Taieb Fas-Fihri.
"Teremos novas negociações. Vamos apoiá-las. Há boas idéias sobre a mesa e há como avançar", acrescentou. Na véspera da visita de Rice, o porta-voz do governo marroquino, Jalid Naciri, havia expressado o desejo de que Washington "contribua para tirar este assunto do impasse no qual se encontra".
"Não temos que começar do zero", afirmou a chefe da diplomacia dos EUA.
O conflito do Saara ocidental, situado ao sul do Marrocos, afeta as relações entre Rabat e Argel assim como o processo de integração da União do Magrebe Árabe (UMA), cujas atividades estão paralisadas há vários anos. O chanceler marroquino afirmou que seu governo espera que as relações entre Marrocos e Argélia, países irmãos, se normalizem e que a União do Magrebe se concretize.
Ele também agradeceu Rice por sua "decisão de reunir os chefes da diplomacia dos países da região, paralelamente à próxima assembléia geral da ONU".
Rice, por sua vez, destacou que quer buscar os meios para ajudar os países da região a adotar "uma posição mais unida diante dos desafios que enfrentam".
Marrocos e o Frente Polisario realizaram quatro séries de negociações em Manhasset, perto de Nova York, sem conseguir nenhum avanço e devem voltar a se reunir em data ainda não definida. Marrocos propõe outorgar uma ampla autonomia ao território sob sua soberania, mas o Frente Polisario reivindica a organização de um referendo de autodeterminação sobre sua independência.
Durante sua visita a Rabat, como na véspera em Argel, Rice conversou também sobre a luta contra o terrorismo com seus interlocutores.
Sábado, ela se reuniu com o primeiro-ministro, Abas El Fasi, o ministro do Interior Chakib Benmusa, e o chefe da inteligência militar Yasin Mansuri.
"É importante que Rabat e Argel troquem informação pelos desafios que precisam enfrentar", declarou.
Em Argel, Rice falou sábado com o presidente argelino, Abdelaziz Buteflika, sobre seu grande interesse na luta contra o terrorismo e a cooperação neste sentido, segundo declarou aos jornalistas. A Argélia é alvo há muitos anos de atentados sangrentos do Grupo Salafita para a Predicação e o Combate (GSPC), que agora é o braço da Al-Qaeda no Magrebe Islâmico.
Rice, que também visitou a Líbia, na sexta-feira, partiu de Rabat neste domingo de volta para Washington.

Rice encerra visita ao Magrebe comprometida com conflito no Saara Ocidental, Da EFE , Rabat, 7 set (EFE).- A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, concluiu hoje em Rabat uma viagem por quatro países do Magrebe dizendo que os Estados Unidos estão dispostos a mediar o conflito entre Marrocos e Argélia pela questão do Saara Ocidental.

O futuro da antiga colônia espanhola, que Rabat anexou há 33 anos, mas que não controla totalmente, dominou boa parte das conversas de Rice no Marrocos, um forte aliado dos Estados Unidos que considera, além disso, que Washington apóia seu plano para conceder autonomia ao território saariano.
Marrocos e Argélia divergem há décadas em relação à polêmica questão do Saara Ocidental, sem que as quatro rodadas de conversas realizadas desde o ano passado com o apoio das Nações Unidas tenham proporcionado qualquer avanço para a solução do conflito.
Na Argélia, onde Rice esteve antes de partir para o Marrocos, a secretária de Estado reuniu-se com o presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika, que a pediu ajuda para desbloquear as conversas sobre o futuro do Saara Ocidental.
Argel insistiu sobre a necessidade de Rice pressionar Rabat a realizar um plebiscito sobre a situação da antiga colônia espanhola, posição também defendida pelo movimento que luta pela sua independência, a Frente Polisário.
No Marrocos, Rice afirmou que "é tempo de solucionar este problema e de estabelecer boas relações entre Marrocos e Argélia, para poder enfrentar os desafios" e afirmou que percebeu esse desejo tanto em Rabat quanto em Argel e em Trípoli, a capital líbia.
A chefe da diplomacia americana afirmou que falou com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, sobre o conflito antes de chegar ao Marrocos e, segundo ela, "há idéias boas sobre a mesa e não será útil examinar outras e começar desde o princípio".
As declarações da secretária de Estado acontecem depois que o enviado de Ban para o conflito do Saara Ocidental, Peter van Walsum, anunciou que deixaria o cargo meses após considerar inviável a independência do território.
O Governo marroquino declarou esta semana, antes da chegada de Rice a Rabat, que conta com a "clarividência" da política externa dos EUA no tratamento do conflito do Saara e estima que Washington apóie o plano do Marrocos para esse território.
Há um ano, EUA, França, Reino Unido e Rússia promoveram uma resolução no Conselho de Segurança das Nações Unidas na qual se encorajava o Marrocos e o Polisário a demonstrarem "vontade política" para resolver a questão.
Para solucionar o problema, o Marrocos propõe uma autonomia para o território, enquanto a Frente Polisário e a Argélia defendem a realização de um plebiscito.
Com sua ida ao Marrocos, Rice concluiu uma viagem por quatro países do Magrebe que começou com uma histórica visita à Líbia, aonde um alto funcionário americano não viajava há 55 anos.
Além disso, viajou para Túnis, capital da Tunísia, e Argel, onde Rice tratou de assuntos relacionados com a cooperação militar e a luta contra o terrorismo.
A secretária de Estado destacou especialmente a contribuição da Argélia nesta luta e qualificou o país de "importante aliado" neste âmbito.
A luta contra o terrorismo é uma das maiores preocupações dos EUA no norte da África, principalmente devido aos vínculos dos terroristas argelinos do Grupo Salafista para a Pregação e o Combate (GSPC) à Al Qaeda.
A viagem da secretária de Estado a quatro países do Magrebe excluiu do itinerário uma visita à Mauritânia, onde o golpe de Estado militar de 6 de agosto foi rejeitado pelo Governo americano.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

FOCO 39: OS CONFLITOS EM ANGOLA !

O mapa acima, se refere a Angola, país ao sudoeste da África, ou da África Meridional, que esteve em um conflito, que teve início em 1975 entre as forças da MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), governos de orientação marxista e formada pela etnia umbundus e mulatos sob a liderança de Agostinho Neto e a UNITA (União Nacional para Independência Total de Angola) anticomunista, formada principalmente por ovimbundus, a maior etnia de Angola, com liderança de Jonas Savimbi.

Neste conflito já morreram mais de 1 milhão de pessoas.

No poder atualmente encontra-se o MPLA que tem como presidente do país, José Eduardo dos Santos. Os rebeldes de Jonas Savimbi atuam a 27 anos, promovendo atos terroristas visando desestabilizar o governo: sabotagens, destruição de torres de alta tensão, condutores de água e contrabando de diamantes.
Essa guerrilha (UNITA) controla a área de exploração de diamantes Os lucros obtidos da exploração de diamantes permitem contratar mercenários e tornar eficiente suas ações.

Desde 1997 existe no país uma missão de observação da ONU

A ação dos rebeldes recebeu um duro golpe com a morte de Jonas Savimbi em confronto com o Exército angolano em 22 de Fevereiro de 2002. Três semanas após a morte de Savimbi, os líderes da UNITA e do governo angolano deram início ás conversações de paz. Os resultados dessas conversações culminaram com a assinatura, em 04 de Abril de 2002, de um cessar-fogo, no qual os líderes, Agostinho Neto (governo) e Paulo Lukamba Gato (UNITA) puseram fim a quase 27 anos de guerra.

Após a Angola conquistar a independência de Portugal em 1974, três partidos lutaram para ter o poder do país: o MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola), a Unita (União Nacional para a Independência Total de Angola) e a FNLA (Frente Nacional para a Libertação de Angola), que acabou se unindo à Unita.

Hoje, o MPLA é o governo reconhecido internacionalmente, com o presidente José Eduardo dos Santos, e domina a capital, Luanda, e a produção de petróleo. A Unita, por sua vez, domina a maior parte do país e a produção de diamantes.
No dia 31 de março de 1991, a MPLA e a Unita assinaram um acordo de paz que previa eleições livres, supervisionadas pela ONU (Organização das Nações Unidas) no ano seguinte.
No entanto, após a vitória da MPLA, a Unita contestou os resultados da votação e reiniciou a guerra civil em outubro de 1992.
Os conflitos internos deixaram cerca de 500 mil mortos e 10 milhões de minas espalhadas pelo território angolano.
NOTÍCIAS ATUAIS SOBRE O TEMA

Eleições em Angola
Vitória esmagadora da paz e da democracia
As eleições recentemente realizadas em Angola representaram uma vitória esmagadora da paz e da democracia. A corroborar tal facto estão a elevada participação do povo no sufrágio – mais de 85 por cento de afluência –, o entusiasmo e o civismo com que os angolanos encararam o acto, sublinhou em testemunho recolhido pelo Avante! o deputado António Filipe, que esteve naquele país em missão de observação da consulta popular.«Algumas horas antes de abrirem as assembleias de voto (às 7 horas da manhã), já se encontravam muitas pessoas em fila.
As urnas, que deveriam encerrar às 18 horas, mantiveram-se abertas, por decisão da Comissão Nacional de Eleições, até haver eleitores para votar. Apesar da demora de várias horas para que cada eleitor pudesse cumprir o seu dever cívico, a eleição decorreu com o maior civismo, sem que tenha sido registado qualquer incidente digno de nota, e num ambiente claramente festivo», revelou o parlamentar comunista.Nas eleições, o MPLA alcançou cerca de 82 por cento dos votos, garantindo 191 dos 220 lugares na Assembleia Nacional, resultado que ultrapassou largamente as expectativas do próprio partido e, no entender de António Filipe, se fica a dever ao reconhecimento por parte do povo angolano de que «foi com o MPLA que se conquistou a independência nacional, venceu a invasão sul-africana e que acabou por derrotar a UNITA ao fim de longos anos de uma destrutiva guerra civil». Não deixa de ser significativo que «as votações mais baixas na UNITA ocorreram precisamente nas regiões do país que estiveram mais tempo sob a sua ocupação», sublinhou.
Acresce, de acordo com António Filipe, que o MPLA, «partido com uma forte implantação política e social, assente numa forte e bem organizada base militante que lhe garantiu uma fortíssima mobilização popular, quer para a campanha, quer para o acto eleitoral», merece da parte do povo angolano igual reconhecimento quanto ao «processo de reconstrução nacional em curso desde 2002», o qual, sublinha ainda, «se tem traduzido na reconstrução e/ou construção de múltiplas infraestruturas essenciais para o desenvolvimento económico e social. Não são apenas estradas, pontes e linhas de caminho-de-ferro; são também escolas, hospitais e habitação. O crescimento da economia e dos níveis de bem-estar é visível, apesar de haver ainda bolsas de pobreza muito grandes nos arredores de Luanda, que receberam muitas centenas de milhares de refugiados».Sem fundamentoPara o deputado António Filipe, «algumas dificuldades logísticas e organizativas do processo eleitoral na província de Luanda» foram reconhecidas e imediatamente corrigidas pela CNE, órgão que, nesse contexto, decidiu «por unanimidade que as assembleias de voto que não abriram, pudessem funcionar no dia seguinte, o que veio a acontecer».Neste contexto, «não houve qualquer irregularidade que pudesse ser apontada como susceptível de beneficiar ou prejudicar alguma força política. As acusações de irregularidades, que, como se veio a demonstrar, não tiveram qualquer fundamento, não passaram de tentativas um tanto ridículas e votadas ao fracasso, de tentar diminuir o impacto da grandiosa vitória eleitoral do MPLA e do povo angolano», concluiu.