segunda-feira, 2 de agosto de 2010

FOCO 57: TENSÕES ENTRE EUA E IRÃ...

As tensões crescentes entre Estados Unidos e Irã, em torno do programa nuclear iraniano, têm ocupado um espaço considerável na mídia. O foco dos noticiários, invariavelmente, recai sobre as tentativas diplomáticas, e ameaças de uso da força, por parte do governo norte-americano, contra a insistência do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, em não acatar as decisões do Conselho de Segurança da ONU que exigem o fim do programa de enriquecimento de urânio do país. De um lado, Ahmadinejad insiste que seu programa nuclear visa fins exclusivamente pacíficos; de outro, George W. Bush acusa o Irã de tentar construir ogivas nucleares, capazes de colocar em risco a segurança não só dos norte-americanos, mas, principalmente, de seu principal aliado no Oriente Médio, Israel. Dada a atual situação de extrema tensão que se configura nas relações entre Washington e Teerã, é válido questionar quais são as dinâmicas internas, nos Estados Unidos, que estão levando o país a considerar um ataque maciço contra o Irã.


A percepção norte-americana de que o Irã representa um inimigo a ser combatido remonta ao ano de 1979, quando a Revolução Iraniana derrubou do poder o Xá Reza Pahlevi, o maior aliado estadunidense no Oriente Médio, e colocou em seu lugar o Aiatolá Khomeini, um líder espiritual e político altamente comprometido com a libertação de seu país da dominação ocidental, que ele entendia estar representada na figura do “Grande Satã” americano. Desde então, as relações entre americanos e iranianos sempre foram tensas, mas a situação de conflito iminente que ora se apresenta, repousa sobre três fatores essenciais a serem aqui considerados.

Em primeiro lugar, aqueles que hoje controlam o poder na Casa Branca entendem que existe um grupo de países que visa a desestabilização do sistema internacional, o chamado “eixo do mal”, no qual o Irã está incluído, juntamente com a Coréia do Norte e o Iraque. O regime de Saddam Hussein foi destruído e os norte-coreanos já acenam com a possibilidade de um acordo. Dentro dessa perspectiva, só resta submeter o Irã, que é percebido como uma fonte de desestabilização sistêmica porque interfere nas dinâmicas do jogo político no Oriente Médio via apoio financeiro ao Hezbollah no Líbano e a grupos radicais na Palestina, alterando a correlação de forças na região contra Israel.

Em segundo lugar, Washington é seletivo em relação àqueles países que recebem seu veto para o desenvolvimento de programas nucleares: a Índia e o Paquistão, por exemplo, possuem ogivas nucleares e nem por isso enfrentam qualquer tipo de problemas ou sanções por parte dos Estados Unidos ou da ONU. Mas a Índia não é um país muçulmano e, embora o Paquistão o seja, esse está localizado no sul da Ásia, não no Oriente Médio, onde só a Israel é permitido o poder nuclear. Além disso, o Paquistão é o que se pode chamar de um “lacaio político” estadunidense, ao passo que o Irã é, hoje, o grande “desafiante” da supremacia militar israelense na região e um país altamente comprometido com a defesa e a expansão dos valores muçulmanos.

Por fim, o lobby israelense em Washington como um fator essencial para o entendimento da escalada das tensões entre americanos e iranianos deve ser analisado. Por décadas, o debate sobre o poder que a comunidade sionista exercia sobre as ações de política externa americana para o Oriente Médio ficou adormecido, exatamente porque jornalistas, intelectuais e acadêmicos temiam que esse tipo de reflexão os colocasse na mira de grupos que percebem qualquer crítica a Israel como um ato anti-semita. John Mearsheimer e Stephen Walt romperam o silêncio em 2006, com a publicação de um artigo que esmiuçava o papel que grupos lobistas israelenses desempenhavam nas decisões políticas americanas para o Oriente Médio. A partir daí, desconsiderar o peso desses grupos para a dinâmica das relações entre Estados Unidos, Israel e Irã é uma falha que nenhum analista deve cometer. Dentro dessa perspectiva, o Irã deve ser atacado e, se possível, destruído, não porque representa uma ameaça aos norte-americanos, mas porque ameaça a supremacia israelense no Oriente Médio. Embora Israel possua uma capacidade militar descomunal, se comparada ao Irã, ou a qualquer outro país da região, a possibilidade do regime iraniano desenvolver artefatos nucleares capazes de atingir Tel-Aviv irá alterar dramaticamente a posição israelense na região, pois um Irã nuclear, aliado da Síria, do Hezbollah e de grupos radicais palestinos obrigará Israel a fazer aquilo a que o país vem se negando desde a sua criação: fazer concessões em nome da paz.

Em suma, por trás do discurso americano, insistentemente repetido pela mídia, de que um Irã nuclear representaria uma ameaça à paz mundial, repousam interesses de manutenção da hegemonia norte-americana no globo e da sustentação da posição israelense como único poder nuclear no Oriente Médio.
Silvia Ferabolli, Mestre em Relações Internacionais pela UFRGS, especialista em assuntos políticos de Oriente Médio. Endereço eletrônico: silviaferabolli@terra.com.br
Artigo publicado na edição nº 376, maio de 2007, página 5.

As tensões entre os Estados Unidos e o Irã voltaram a emergir ontem, depois que o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas americanas, almirante Mike Mullen, afirmou que seu país tem um plano pronto para atacar o Irã. Ele ressaltou, no entanto, que uma ação militar seria provavelmente uma má ideia e que está extremamente preocupado com as consequências que uma ofensiva como essa pode ter. As declarações da mais alta autoridade militar americana repercutiram de forma contundente em Teerã, com a promessa da Guarda Revolucionária de dar uma “resposta esmagadora” aos EUA e a Israel se qualquer um dos países atacar a nação islâmica. As ameaças ocorrem no momento em que o Exército americano se prepara para ativar um escudo antimíssil no sul da Europa como parte dos esforços para impedir o programa nuclear iraniano.


A notícia é do jornal O Globo, 02-08-2010.

Mullen já afirmou algumas vezes que uma ação militar contra o Irã teria sérios e imprevisíveis efeitos em cascata para o Oriente Médio.
Ao mesmo tempo, diz que o risco de Teerã desenvolver uma bomba atômica é inaceitável. Em entrevista à emissora americana NBC, o chefe do Estado-Maior não respondeu qual risco seria pior, mas, sem entrar em detalhes, confirmou que o Exército tem um plano em mãos.
— As opções militares estiveram sobre a mesa e continuam estando — declarou Mullen, acrescentando que qualquer decisão sobre um possível ataque teria que ser tomada pelo presidente Barack Obama.
— Para ser muito franco, qualquer uma das opções me preocupa muito.
Horas após a entrevista, o comandante da Guarda Revolucionária do Irã voltou suas atenções para Israel e os Estados Unidos, afirmando que Teerã não acreditava que seu inimigo teria capacidade para atacá-lo.
— Segurança no Golfo Pérsico para todos ou para ninguém. O Golfo é uma região estratégica. Se a segurança nessa região ficar comprometida, eles sofrerão também, e nossa resposta será dura — afirmou o vice-comandante político da Guarda, general Yadollah Javani.
— O Irã dará uma resposta esmagadora aos inimigos. Embaixador ameaça deixar Tel Aviv em chamas
Os EUA e Israel já declararam no passado que a opção de atacar o Irã deve ser mantida sobre a mesa, mas evitavam dizer se havia um plano pronto para isso. Ontem, o embaixador iraniano na ONU alertou que Teerã atacaria Tel Aviv se Israel se atravesse a agredir o Irã.
— Se o regime sionista cometer a menor das agressões contra o solo iraniano, vamos deixar Tel Aviv em chamas — ameaçou Mohammad Khazai.
As tensões entre os EUA e o Irã vêm aumentando. Ontem, Teerã rejeitou o pedido de Obama para libertar três jovens americanos presos há mais de um ano, que teriam ultrapassado a fronteira com o Iraque. As ações contra o programa nuclear iraniano também continuam. Segundo o “Washington Post”, o Pentágono está fechando um acordo para ativar uma importante estação de radar na Turquia ou Bulgária. A instalação pode colocar em operação parte de um escudo antimísseis no sul da Europa já no ano que vem. Ao mesmo tempo, os EUA trabalham com Israel e aliados no Golfo Pérsico para aumentar suas capacidades de defesa antimísseis.

domingo, 25 de julho de 2010

FOCO 37: A CORÉIA DO NORTE AFRONTA OS EUA !

AIMA, O MAPA DAS CORÉIAS E ILUSTRAÇÃO DAS TENSÕES ENTRE ELAS...

ACIMA, A MARINHA AMERICANA, SÍNDO EM DIREÇÃO AO MAR DAS CORÉIAS, PARA EXERCÍCIOS CONJUNTOS COM A CORÉIA DO SUL, AS TENSÕES AUMENTAM... E O QUE ESPERAR ?
OS EXERCÍCIOS CONJUNTOS ENTRE CORÉIA DO SUL E EUA, AFRONTAM A BÉLICA CORÉIA DO NORTE, E GERA TENSÕES NESTA PORÇÃO DA ÁSIA...

LEIA E VEJA MAIS SOBRE O TEMA, EM PUBLICAÇÕES ANTERIORES...
FEITAS AQUÍ MESMO EM 2008...

Washington e Seul fazem demonstração de força diante de Pyongyang

Estados Unidos e Coreia do Sul começaram neste domingo uma rodada de quatro dias de exercícios militares de grande escala no Mar do Japão como demonstração de força diante da Coreia do Norte, que considerou tal evento uma provocação e fez ameaças de guerra em represália. O porta-aviões nuclear americano "George Washington", com capacidade para transportar 97 mil toneladas, partiu nesta madrugada (horário local) do porto sul-coreano de Busan com destino ao interior do Mar do Japão, escoltado por vários navios lança-mísseis.
Com cerca de 80 aeronaves a bordo, entre elas caças F18 e aviões espiões E-2C, o "George Washington" lidera a maior mobilização de unidades em exercícios militares na Coreia do Sul em mais de três décadas, segundo a agência local Yonhap. Por meio dessas manobras conjuntas, os dois países aliados pretendem enviar uma mensagem de força ao regime comunista de Kim Jong-il, após o afundamento em março da corveta sul-coreana "Cheonan" no Mar Amarelo, perto da fronteira com o Norte.
Uma equipe internacional de investigadores concluiu em maio que a embarcação foi abatida por um torpedo norte-coreano, mas Pyongyang nega responsabilidade no incidente e afirma que as provas da investigação foram fabricadas pelo vizinho do sul. Nesta segunda-feira, completam-se quatro meses desse afundamento, que deixou 46 marinheiros mortos, elevou as tensões na península coreana e levou os Estados Unidos e a Coreia do Sul a organizarem, em resposta, os exercícios "defensivos" iniciados neste domingo.
Nas operações, participam oito mil soldados das Forças Armadas dos dois países, além de vários navios da Sétima Frota da Marinha americana, pelo menos um submarino nuclear e 200 aviões de combate, entre eles vários F-22 Raptors. Esses aviões, que sobrevoarão pela primeira vez o espaço aéreo sul-coreano, podem alcançar o dobro da velocidade do som e são invisíveis aos radares.
O porta-aviões "George Washington" tem, por sua vez, um rádio operacional de 1 mil quilômetros, o que significa que nestes exercícios teria capacidade para alcançar o território da Coreia do Norte e inclusive ir além. "Mostrando a envergadura de nossa capacidade militar, os exercícios enviarão uma clara advertência à Coreia do Norte", assegurou neste domingo o porta-voz militar sul-coreano Kim Kyung-shik, citado pela Yonhap.
Na rodada deste domingo, as forças de ambos os países se concentraram em operações preparatórias para os treinamentos, que incluirão atividades como tiros de artilharia e lançamento de minas marinhas e projéteis anti-submarinos, segundo fontes militares sul-coreanas.
As manobras suscitaram duras críticas do regime comunista de Kim Jong-il, que neste sábado acusou os EUA e sua "marionete" Coreia do Sul de levar a situação à beira do conflito. Pyongyang ameaçou usar seu poder nuclear em uma "guerra santa de represália". Em princípio, Washington e Seul haviam previsto realizar o treinamento conjunto neste mês em águas do Mar Amarelo, entre a costa ocidental da península coreana e a China. No entanto, Pequim, principal aliado da Coreia do Norte, fez oposição, ao considerar a operação uma ameaça para sua segurança. Por isso, em uma aparente concessão à China, EUA e Coreia do Sul mudaram a localização das manobras para a costa oriental da península coreana.
Os exercícios militares são abertamente apoiados pelo Japão, que, segundo fontes oficiais, receia "a ameaça" representada pela Coreia do Norte. Tóquio enviou quatro observadores a bordo do "George Washington". Com o nome de "Espírito Invencível", os exercícios que se desenvolvem deste domingo até quarta-feira no Mar do Japão são os primeiros de uma série que a Coreia do Sul e os EUA realizarão nos próximos meses.
A última vez que Seul e Washington fizeram uma demonstração de força dessa magnitude frente à Coreia do Norte foi em 1976, segundo a Yonhap. Na ocasião, ambos realizaram exercícios militares conjuntos em resposta ao assassinato de dois soldados americanos por oficiais norte-coreanos na cidade fronteiriça de Panmunjom.

FOCO 56: RELAÇÕES CONTURBADAS ENTRE VENEZUELA E COLÔMBIA!

NOSSOS VIZINHOS, VENEZUELA E COLÔMBIA ENTÃO EM PÉ DE GUERRA, E PRECISAMOS ANALISAR ISSO FRIAMENTE, NÃO NO SENTIMENTALISMO DESREGRADO, MAS PELO PONTO DE VISTA DOS DOIS LADOS...
COM ESTAS ENTREVISTAS PODEMOS TER UMA NOÇÃO BEM MAIS SIMPLES DOS PORQUES DESTA CRISE E TENSÃO AQUÍ PRÓXIMO DO BRASIL, E COMO NOSSO PAÍS PODE INTERFERIR NESTA SITUAÇÃO...

Nas últimas semanas, o presidente venezuelano Hugo Chávez passou diversos sinais conciliadores para o mandatário eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, que tomará posse dia 7 de agosto. O retorno também foi promissor: o novo chefe de Estado colombiano revelou-se disposto a construir uma agenda positiva, que permitisse o pleno reatamento entre os dois países.
O comentário é de Breno Altman, jornalista e diretor editorial do site Opera Mundi, 22-07-2010.
Mas a aproximação foi fulminada pela ação de Álvaro Uribe, desconfortável com a autonomia de seu sucessor e o risco de perder espaço na vida política do país. Mesmo sem qualquer incidente que servisse de pretexto, jogou-se nos últimos dias a reativar denúncias sobre supostos vínculos entre as Farc e a administração chavista.
O ápice da performance uribista foi a atual reunião da OEA (Organização dos Estados Americanos), que se realiza em Washington. Bogotá apresentou provas para lá de duvidosas, que sequer foram corroboradas por seus aliados tradicionais, de que a Venezuela estaria protegendo e acobertando atividades guerrilheiras. A reação de Caracas foi dura e imediata.
A decisão pela ruptura de relações diplomáticas, no entanto, pode ser provisória. O próprio presidente Chávez, nas primeiras declarações a respeito dessa atitude, reafirmou a esperança de que Santos arrume a bagunça armada pelo atual ocupante do Palácio de Nariño. Mas reiterou sua disposição de enfrentar e desqualificar a estratégia de Uribe.
O presidente colombiano parece mirar dois objetivos.

O primeiro deles é interno: a reiteração da “linha dura” como política interna facilita sua aposta de manter hegemonia sobre os setores militares e sociais que conseguiu agregar durante seu governo.

O segundo, porém, tem alcance internacional. O uribismo é parte da política norte-americana para combater Chávez e outro governos progressistas; mesmo fora do poder, o líder ultradireitista não quer perder protagonismo e se apresenta como avalista para manter Santos na mesma conduta.
Fontes do Palácio de Miraflores não hesitam em afirmar que as provocações de Uribe, além de fixar seu alvo no presidente venezuelano, seriam estranhamente coincidentes com o discurso de José Serra e Indio da Costa no Brasil, retomando a pauta de eventuais relações entre o PT e a guerrilha colombiana. Esses analistas afirmam que o governante de Bogotá deu um lance para se manter em evidência na disputa regional entre os blocos de esquerda e direita.
Autoridades venezuelanas, nos bastidores, se empenham para que haja uma condenação generelizada, dos países latino-americanos, à conduta de Bogotá e ao cúmplice silêncio norte-americano. Não desejam que outras nações sigam o caminho da ruptura, mas Chávez parece convencido que seu colega colombiano não poderá ser detido com meias-palavras ou atos de conciliação.

O cientista político José Vicente Carrasquero, da Universidade Central da Venezuela, diz que tanto Álvaro Uribe como Hugo Chávez manejaram mal o conflito entre os dois países, que pode trazer problemas para o novo presidente da Colômbia e para o venezuelano.
A entrevista é de Mariana Timóteo da Costa e publicada pelo jornal O Globo, 23-07-2010.
Eis a entrevista.

Quem sai mais prejudicado com a crise?
Juan Manuel Santos (o presidente eleito da Colômbia) herdou uma grande batata quente e pode custar para consertar a relação com a Venezuela. Chávez certamente ganhou, com a decisão de romper com o vizinho, a antipatia dos pelo menos dois milhões de colombianos que vivem na Venezuela — muitos deles inclusive têm dupla cidadania e votam em nosso país. Isso, a dois meses de eleições, pode causar impacto. Mas quem sofre mais é o povo: na fronteira, por questões de segurança; nas cidades venezuelanas, por causa do desabastecimento de produtos que antes comprávamos da Colômbia. Os habitantes de nosso vizinho também, já que milhões dependem do dinheiro que vem da Venezuela para sobreviver.

Quem errou mais? Uribe, ao fazer as acusações contra a Venezuela, ou Chávez, ao anunciar que romperia relações com a Colômbia?

São dois líderes mais semelhantes do que a gente imagina: carismáticos, passionais, vaidosos e que tiveram atitudes intempestivas. Uribe agiria melhor, seria mais elegante, se entregasse este dossiê, que ao que me parece contém informações importantes, ao seu sucessor. Afinal, ele está deixando o poder. Já Chávez deveria — e tinha a obrigação — de reagir às acusações da forma como um chefe de Estado deve reagir: contestando os dados, apresentando soluções. Eu e milhões de eleitores na Venezuela queremos saber se guerrilheiros e terroristas encontram abrigo em nosso país. O governo nunca nos deu uma explicação satisfatória.

Em que isso prejudica os outros países da região?
Só o tempo e os termos desta ruptura, que ainda não estão muito claros, vão nos dizer.

O pesquisador e sociólogo colombiano Alfredo Rangel, da Fundação Segurança e Democracia, diz que a decisão de Hugo Chávez apenas formalizou uma ruptura que já havia, mas acha que a situação pode ser revertida depois que o novo governo da Colômbia tomar posse.
A entrevista é de Mariana Timóteo da Costa e publicada pelo jornal O Globo, 23-07-2010.
Eis a entrevista.

Que consequências esta ruptura trará para Venezuela e Colômbia?
Acho que vai prejudicar setores diplomáticos, consulares e negociações bilaterais. Mas a ruptura apenas formalizou algo que já acontecia: os países brigam há muito tempo, o comércio entre eles caiu 70%, a Colômbia sabe que guerrilheiros vivem na Venezuela e que o país não luta contra isso. As relações terão que recomeçar do zero no dia 7, quando o presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, tomar posse.

O senhor é defensor das políticas de Álvaro Uribe. Ele agiu certo ao apresentar agora essas denúncias, a duas semanas de deixar o governo?
As provas que ele apresentou são realmente novas e as acusações contra a Venezuela, graves. Mas é evidente que Uribe quis mostrar seu desacordo com Santos, que defende normalizar as relações com o vizinho. Os dois querem acabar com o terrorismo e o narcotráfico, só que Uribe “limpou a casa internamente” antes de ir para a fronteira. Não se preocupou em contar com a colaboração da Venezuela. Santos pensa diferente e acho que solucionar esta questão com Chávez será uma das prioridades — e se ele conseguir uma das vitórias — de seu governo. Acho que ele consegue.

O Brasil e a Unasul poderiam ajudar de alguma maneira? A questão pode causar alguma tensão regional?

A Colômbia está distante do Brasil e, por tabela, da Unasul. Tanto que Santos — que está num giro pela América Latina — não vai a Brasília. Caracas tem mais aliados na região do que Bogotá. Seria bom o Brasil começar a trabalhar para equilibrar este quadro. Mas não acredito que este novo capítulo da crise se estenda aos vizinhos.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

FOCO 03: EX-IUGOSLÁVIA E KOSOVO.

ONU E EUA RECONHECEM A INDEPENDÊNCIA DE KOSOVO. E AGORA, COMO FICARÃO OS OUTROS CASOS DE NACIONALISMO DENTRO DA EUROPA??
EUA apoiam independência de Kosovo e pedem Europa unida
Washington respaldou separação da Sérvia em 2008 e agora quer 'futuro comum' para os países
HAIA - O Tribunal Internacional de Haia considerou nesta quinta-feira, 22, que a decisão unilateral da província de Kosovo de declarar independência da Sérvia em 2008 não violou as leis internacionais.
Segundo o tribunal, "não há norma no direito internacional" que não permita declarações de independência. É a primeira das conclusões que tornou pública a Corte de Haia, que repassa desde as 15 horas no horário local (10 horas em Brasília) os antecedentes do fato e os fundamentos de direito sobre a legalidade da declaração unilateral de independência do Kosovo.
"A assembleia do Kosovo tinha poder para tomar decisões que afetassem sua ordem legal", acrescentou o juiz presidente, Hisashi Owada, que apontou que a declaração também não transgrediu a resolução 1244 do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
O ministro de Exteriores de Kosovo, Skender Hyseni, disse esperar compreensão do lado sérvio em relação à decisão da corte. "Espero que a Sérvia fique do nosso lado, que possamos dialogar em assuntos de interesse mútuo", disse o chanceler, acrescentando que tais conversas só podem ser estabelecidas como "um diálogo entre dois Estados soberanos".
A decisão não tem caráter prático, mas pode renovar a pressão para a retomada de negociações entre Pristina e Belgrado e ter implicações nas negociações para a entrada da Sérvia na União Europeia.
Em 1998, o governo da então Iugoslávia reprimiu separatistas kosovares de origem albanesa. A OTAN bombardeou o país por mais de dois meses em 1999 em retaliação. Os sérvios consideram Kosovo o berço de sua identidade nacional. Mais de 90% da população é de origem albanesa.
A independência do território sérvio havia sido reconhecida por 69 países, entre eles os EUA e a maioria dos países europeus, mas não pela Rússia, China, Brasil e a maioria dos países latino-americanos. A decisão deve fazer com que mais nações aceitem a independência kosovar, o que deixa o país mais perto de entrar na Organização das Nações Unidas (ONU).

terça-feira, 20 de julho de 2010

AGUENTE ESSA !!!! O QUE FALAR DISSO??? NEM CORAGEM EU TENHO DE FAZÊ-LO!!

Os custos das operações militares realizadas pelos Estados Unidos desde os ataques de 11 de Setembro, na chamada guerra ao terrorismo, já superam US$ 1 trilhão (R$ 1,78 trilhão), segundo um relatório do Serviço de Pesquisas do Congresso americano.
Ajustado à inflação, os custos das guerras no Afeganistão, no Iraque e em outros lugares do mundo chegam a US$ 1,15 trilhão (R$ 2 trilhões). O valor perde apenas para os US$ 4,1 trilhões (R$ 7,3 trilhões) gastos na Segunda Guerra (1939-1945).
A comparação foi feita no relatório "Custo das Principais Guerras dos EUA", que tenta avaliar os custos das guerras ao longo de mais de 230 anos, desde a Revolução Americana até a atualidade.
O próprio autor do documento, Stephen Daggett, ressalta que a comparação em um período de tempo tão grande, quando a moeda americana sofreu grandes mudanças de valor, "é problemática".
O valor considerado na época da Segunda Guerra, por exemplo é de US$ 296 bilhões --36% do PIB americano. Já o US$ 1,15 trilhão da guerra contra o terrorismo representa 1% do PIB dos EUA atual.
"Um problema é separar o custo das operações militares dos custos das forças em tempos de paz. Nos últimos anos, o Departamento de Defesa tentou identificar as despesas adicionais de engajar em operações militares, acima dos custos de manter operações militares rotineiras", explica o relatório.
"Os números são problemáticos também por causa das dificuldades de comparar preços de uma era completamente diferente para outra. Talvez um problema mais significativo é que a guerra fica mais cara ao longo do tempo pelo custo da tecnologia e sofisticação, tanto das atividades militares quanto civis", completa.
Em 2007, um orçamento do Congresso americano feito em 2007 estimava que o custo das guerras no Iraque e Afeganistão ficariam em US$ 2,4 trilhões até 2017, mais do que o dobro do valor total.