sexta-feira, 10 de outubro de 2008

SIMULADO 02 - TENSÕES INTERNACIONAIS !

TA AÍ O II SIMULADO DE QUESTÕES SOBRE TENSÕES INTERNACIONAIS ! FAÇA COM DEDICAÇÃO, E ME ESCREVA COM SUAS RESPOSTAS !

Q1) De abril a julho de 1994, em Ruanda, país do centro da África, o agravamento do conflito entre as etnias tútsi e hutu culminou na morte de mais de 800 mil pessoas, muitas vitimadas por golpes de facão. O genocídio cometido por grupos fanatizados, como bem mostrou o filme "Hotel Ruanda" (rodado em 2004), não foi impedido por nenhuma das potências contemporâneas, Estados Unidos ou países da Comunidade Européia, porque
a) as nações economicamente desenvolvidas manifestam, tradicionalmente, desinteresse pela história e pelas riquezas da África negra.
b) a precariedade dos meios de comunicação e de informação impediu que fosse conhecido o que se passava em Kigali, a capital de Ruanda.
c) o princípio internacional e democrático de não-intervenção na política interna dos países livres pautou o seu comportamento.
d) havia dificuldade de uma ação militar eficaz, dada a lentidão do deslocamento de tropas no terreno irregular da África.
e) a história de Ruanda é pouco determinante para o equilíbrio político interno e para as relações internacionais das nações desenvolvidas.

Q2) No mundo atual, os conflitos políticos continuam ameaçando as possibilidades de existência de relações internacionais pacíficas. Além das questões políticas, há conflitos relacionados com:
MARQUE COM VERDADEIRO (V) OU FALSO (F)
( ) diferenças étnicas, que retomam muitas vezes disputas seculares.
( ) interesses econômicos e, por vezes, ambições imperialistas.
( ) questões ideológicas, que levam a projetos sociais incompatíveis.
( ) projetos de globalização, na busca da expansão do mercado.
( ) divergências religiosas, que têm provocado as guerras santas.

Q3) Sobre o significado e os desdobramentos dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, estão corretas as afirmações a seguir, À EXCEÇÃO DE:
a) Os ataques terroristas provocaram mudanças no cotidiano da população norte-americana, como o crescimento da vigilância e restrições à liberdade e à privacidade dos cidadãos.
b) A partir do atentado, o governo Bush introduziu na política externa americana o princípio da "guerra preventiva", segundo o qual os Estados Unidos têm o direito de atacar países que possam representar uma ameaça política futura.
c) A reação do governo norte-americano aos atentados aumentou a tensão nas relações internacionais entre aliados importantes dos Estados Unidos, como a Alemanha e a França, que demonstraram algum descontentamento com a política unilateral adotada pelo governo Bush.
d) Devido aos avanços tecnológicos, ocorreu uma expressiva diminuição dos gastos militares e do número de vítimas, desde então, em comparação com os tempos da Guerra Fria.
e) Os ataques terroristas fizeram ressurgir a idéia de que os conflitos no século XXI seriam explicados pela existência de um conflito entre dois modelos de civilização.

Q4) Acerca dos acontecimentos que acompanharam a Segunda Guerra do Golfo (2003-2004), estão corretos:
I. O Iraque foi acusado pelos EUA de apoiar o terrorismo e de fabricar armas de destruição em massa.
II. No fim de 2002, Saddam Hussein aceitou que inspetores da ONU fiscalizassem suas instalações industriais e militares, sendo que estes declararam não haver indícios de armas de destruição em massa no Iraque.
III. Mesmo sob pressão negativa, George W. Bush revelou abertamente o interesse norte-americano pelas reservas de petróleo do Iraque.
IV. O ataque ao Iraque, iniciado em março de 2003, teve amplo apoio do Conselho de Segurança da ONU, uma vez que este se convenceu de que era necessária uma ação militar para derrubar Saddam Hussein do poder.
V. No Conselho de Segurança da ONU, apenas a Inglaterra apoiou os planos norte-americanos de ocupação militar do Iraque, participando, inclusive, das operações de combate realizadas naquele país.

a) I, II e IV
b) I, III e V
c) II, III e IV
d) I, II e V
e) II, III, e V

Q5) No dia 11 de setembro de 2001, o mundo assistiu à destruição do "World Trade Center", em Nova Iorque, e ao ataque ao Pentágono, em Washington, intensificando o medo em relação ao terrorismo. No dia 11 de março de 2004, novos atentados terroristas foram realizados, dessa vez em Madri.
A ameaça de ações terroristas que paira sobre os Estados-nação gera, entre outras, a seguinte conseqüência:

a) agravamento dos conflitos étnicos e culturais.
b) fim do próprio Estado-nação e da bipolaridade
c) enfraquecimento dos nacionalismos de direita e de esquerda
d) incorporação dos movimentos sociais e políticos às forças armadas

Q6) Considere as seguintes afirmações sobre a África Sub-Saariana.
I. Um dos motivos que justificam os conflitos violentos, nessa parte do continente, é o da necessidade de controle dos recursos minerais aí abundantes.
II. A violência e a impunidade aí presentes representam desrespeito à Declaração dos Direitos Humanos e às Leis Internacionais sobre Refugiados.
III. A assistência ao desenvolvimento dos países que a compõem foi incrementada em 40% pelos países ricos, entre os anos 1990-1999.
IV. A África Sub-Saariana vem sofrendo limitações no desenvolvimento de sua produção local, devido ao fato de estar fora das prioridades dos mercados mundiais.

Está correto apenas o que se afirma em
a) I e III.
b) I, II e IV.
c) II e III.
d) II, III e IV.
e) III e IV.

Q7) É a região do globo que se mantém com o ritmo de crescimento demográfico mais acelerado. No entanto, além da pobreza e dos conflitos (religiosos, políticos e interétnicos), na última década a expansão da AIDS tem atuado como um perverso redutor populacional.

Trata-se das características da dinâmica
demográfica
a) dos países que compunham a extinta União Soviética, como a Ucrânia.
b) dos países mais pobres da América Latina e Caribe, como Cuba e Haiti.
c) do continente africano, principalmente em países como Angola e Zimbábue.
d) do Sudeste Asiático, com destaque para a Indonésia e Filipinas.
e) dos novos países que surgiram na Europa, como a Croácia e a Eslovênia.

Q8) Libéria, a República mais antiga da África, foi fundada por escravos americanos libertos, busca pôr fim à guerra civil que dura 14 anos. A situação da Libéria reflete a instabilidade política e econômica de todo o continente, cujas características comuns estão corretamente assinaladas,
EXCETO em:
a) A despeito de uma vasta gama de recursos naturais, os países africanos possuem economias debilitadas, que não conseguem garantir o sustento de suas populações.
b) A epidemia de AIDS afeta de forma indiscriminada nações muçulmanas e cristãs, influindo na capacidade de geração de renda nesses países.
c) O processo de globalização contribuiu para enfraquecer ainda mais as estruturas políticas e econômicas, potencializando as guerras e a fome generalizada.
d) O colonialismo europeu segmentou povos e culturas diversas e criou fronteiras político-administrativas artificiais elevando o potencial de conflitos no continente.

Q9) Leia estas manchetes e notas de jornal sobre a África, uma amostra obtida em apenas dois dias consecutivos:
"Governo de Obasanjo (Nigéria) enfrenta dilema ao permitir uso da sharia."
"Folha de S. Paulo", São Paulo, 15 jun. 2003. Caderno Mundo, p. A 24.
"O governo enviou reforços à região oeste, onde, em fevereiro, surgiu um novo grupo rebelde, o Movimento pela Libertação do Sudão."
"Folha de S. Paulo", São Paulo, 15 jun. 2003. Caderno Mundo, p. A 22.
"As tensões entre negros e árabes [Mauritânia] aumentaram após a prisão de opositores muçulmanos. O país, muçulmano, tem relações com Israel."
"Folha de S. Paulo", São Paulo,15 jun. 2003. Caderno Mundo, p. A 22.
"Garoto de 13 anos de milícia pró-governo carrega arma para combate em Monróvia (Capital); o presidente Charles Taylor e rebeldes ainda não chegaram a acordo de cessar-fogo."
"Folha de S. Paulo", São Paulo, 16 jun. 2003. Caderno Mundo, p. A 14.

A partir da leitura dessas manchetes e notas jornalísticas, é INCORRETO admitir que
a) a instabilidade política e os freqüentes golpes de estado continuam sendo uma constante em muitos países africanos.
b) o componente religioso se manifesta em alguns dos conflitos e tensões - como é o caso da Nigéria, palco de confrontos entre cristãos e muçulmanos.
c) as guerras civis estão afetando irreversivelmente crianças e adolescentes africanos, que participam diretamente das lutas armadas.
d) as lutas étnicas ou tribais deixaram de preocupar organismos internacionais por terem sido apaziguadas temporariamente.

Q10) Acusado de abrigar grupos terroristas em seu território, o Afeganistão tornou-se alvo de retaliação dos Estados Unidos por causa dos atentados ocorridos em 11 de setembro de 2001 nas cidades de Nova Iorque e Washington.
Com relação aos países envolvidos nesse conflito e às novas derivações geopolíticas e econômicas daí resultantes, são feitas as seguintes afirmações.

I - A mistura étnica no Afeganistão é um importante componente da guerra civil que assola o país desde a partida dos invasores soviéticos em 1989. Os patanes compõem a maioria absoluta do Talibã, enquanto que os tadjiques formam a maioria das forças que lutam contra o Talibã.
II - Para qualquer tropa invasora, o território afegão é bastante inóspito. Contribuem para isso as variações climáticas regionais, com invernos extremamente frios e verões muito quentes.
III - Nos últimos anos, os norte-americanos e os ingleses vinham tentando uma aproximação comercial com o governo talibã. O interesse são as jazidas petrolíferas do Mar Cáspio, cujas reservas são maiores que as dos países do Golfo Pérsico.
IV - Os Estados Unidos obtiveram dois parceiros estratégicos na sua ofensiva militar contra o Afeganistão: o Japão e a Rússia. O primeiro é um importante aliado devido às suas boas relações com as ex-repúblicas soviéticas vizinhas ao Afeganistão; já a Rússia, em apoio à luta contra o terrorismo, aprovou uma lei que permite ações militares pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.

Quais estão corretas?
a) Apenas I e II.
b) Apenas I e III.
c) Apenas II e III.
d) Apenas II e IV.
e) Apenas III e IV.

Q11) Na América Latina ainda persistem alguns conflitos nacionais, que caracterizam uma relativa instabilidade política em algumas partes do continente. Alguns desses conflitos são muito conhecidos e divulgados pela mídia, como o do "Sendero Luminoso" e o dos "Chiapas".

Esses dois conflitos internos se relacionam com os seguintes países:
a) Uruguai e Nicarágua
b) Colômbia e El Salvador
c) Colômbia e Bolívia
d) Bolívia e Peru
e) Peru e México

Q12) A Bolívia já nacionalizou seus recursos fósseis (hidrocarbonetos) por três vezes: em 1937, quando a "Standart Oil" americana detinha a totalidade dos poços no país; em 1969, foi a vez da "Gulf Oil" e a atual nacionalização envolve várias empresas como a "Petrobras" do Brasil e a "Repsol" da Espanha, por exemplo.

Sobre essa nacionalização atual na Bolívia é correto afirmar que
a) é um ato que nacionaliza apenas a exploração de gás natural e quer chegar até a incorporação do gasoduto Brasil-Bolívia como patrimônio exclusivo da Bolívia.
b) é uma nacionalização das jazidas de hidrocarbonetos, mas que permite e quer negociar novos contratos de exploração dos recursos pelas empresas estrangeiras.
c) a nacionalização desaloja empresas estrangeiras e garante o monopólio da exploração, refinamento e comercialização apenas para empresas bolivianas.
d) é um ato que gerou revoltas na Bolívia, desestabilizando gravemente o governo atual, visto que as empresas estrangeiras são a única fonte de emprego no país.
e) as ameaças militares do Brasil à Bolívia em razão da expropriação da Petrobrás levaram o país vizinho a realizar um recuo estratégico nessa ação.

Q13) A FARC - autodenominada Forças Armadas Revolucionárias - é, para alguns, um grupo revolucionário que luta pela mudança do poder e, para outros, um grupo de terroristas e seqüestradores. Esse movimento ocorre em que país vizinho do Brasil e com qual estado membro brasileiro ele faz fronteira?
a) Venezuela, fronteira com o Amazonas.
b) Guiana, fronteira com Roraima.
c) Colômbia, fronteira com o Pará.
d) Colômbia, fronteira com Roraima.
e) Colômbia, fronteira com o Amazonas.

Q14) O começo do século XXI revelou uma nova forma de terrorismo: globalizado, sem fronteiras e sob os holofotes da mídia. O mundo ficou estarrecido diante dos atentados de 11 de setembro de 2001 a importantes símbolos do poder político e econômico norte-americano. Nos três primeiros dias de setembro de 2004, no sul da Rússia, a pequena cidade de Beslan foi assolada pelo terrorismo. Uma escola local foi ocupada, em dia de festa, por terroristas que fizeram mais de 1000 reféns.
A principal motivação do grupo armado que ocupou a escola de Beslan centrava-se na causa separatista, reinvidicavam:
a) Inclusão da Chechênia no Comunidade dos Estados Independentes, CEI.
b) Ajuda militar russa às tropas chechenas na defesa de suas fronteiras.
c) Ajuda humanitária do governo de Moscou às populações pobres das montanhas da Chechênia.
d) Anexação dos territórios vizinhos, como o Azerbaijão e a Geórgia, à Chechênia.
e) Saída das forças militares russas da Chechênia.

Q15) Assinale a alternativa INCORRETA sobre a região do Cáucaso.
a) O extremismo islâmico é responsável por movimentos separatistas, como os ocorridos na Tchetchênia.
b) A região tem grande importância para a Rússia devido à produção de petróleo.
c) Trata-se da principal área produtora de cereais da Rússia.
d) Anteriormente integrante da ex-URSS, é atualmente dividida em países independentes e áreas vinculadas à Rússia.
e) Marcada por rivalidades étnicas e religiosas, é uma das regiões mais conturbadas do mundo.

Q16) A Itália é marcada pela disparidade de desenvolvimento econômico e social entre suas porções Norte e Sul. A principal área de concentração industrial italiana, responsável por grande parte da produção industrial do país, é o Vale do Pó, no Norte, uma extensa planície cortada de oeste para leste pelo rio Pó.

Com relação ao processo de industrialização da Itália, assinale a alternativa INCORRETA.
a) A rapidez da industrialização italiana deu-se através da participação direta e efetiva do Estado, que facilitou o processo por meio de medidas de estímulo fiscal e da criação de infra-estrutura.
b) Os mais importantes pólos urbano-industriais da Itália, como Milão, Turim e Gênova, destacam-se pela produção diversificada como os setores siderúrgico, químico, petroquímico, automobilístico e outros.
c) No período pós-guerra, o acelerado desenvolvimento industrial italiano ocorreu devido à existência de abundantes recursos naturais presentes em todo seu território.
d) A entrada maciça de capitais estrangeiros, na forma de investimentos diretos e indiretos, e a de divisas, geradas pelo turismo, são fatores que contribuíram para o desenvolvimento industrial italiano.

Q17) A disputa que se trava no Oriente Médio entre Israel e Líbano é um confronto geopolítico que há mais de meio século perdura na definição das fronteiras entre os Estados envolvidos.
Em 28 de junho de 2006, o exército israelense atacou a Faixa de Gaza e prendeu vários ministros da Autoridade Nacional Palestina na Cisjordânia, sob a alegação de resgatar um soldado seqüestrado por extremistas palestinos. Na verdade, o convívio entre israelenses e palestinos tem raízes históricas, em que pesam elementos definidores do espaço, tais como estado, nação, fronteiras e territórios.

Com base em seus conhecimentos e nas informações anteriores sobre Israel e os Territórios Palestinos, é correto afirmar que
a) a independência de Israel permitiu que os judeus fossem retirados do território que ocupavam e formassem um estado na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, motivando protesto por parte dos árabes.
b) a ONU aprovou, em 1947, a divisão da Palestina, então administrada pelos britânicos, em um estado árabe e outro judeu, possibilitando a criação de Israel, em 1948.
c) os palestinos ficaram sem território e passaram a viver em acampamentos, apesar de receberem apoio político externo, sobretudo dos EUA.
d) a Organização para Libertação da Palestina (OLP) foi fundada, em 1964, com o objetivo de obter a soberania dos palestinos sobre a região, ainda que permanecessem sob o domínio de Israel.
e) a Autoridade Nacional Palestina (ANP) foi criada em 1993, pelo Acordo de Oslo. Além disso, estava prevista a devolução dos territórios da Faixa de Gaza e da Cisjordânia para controle libanês.

Q18) Em julho de 2006, tropas israelenses iniciaram uma grande ofensiva no Líbano. Dentre as justificativas do governo israelense para essa ação, pode-se citar
a) o desmantelamento da estrutura militar e administrativa do Hamas, na cidade litorânea de Tiro.
b) a destruição das células do Al Qaeda, ligadas ao terrorista Bin Laden, localizadas em território libanês.
c) a retomada das fazendas de Chebaa, ainda sob controle libanês, porém reconhecidas pela ONU como pertencentes a Israel.
d) a destruição do poder militar do grupo Hizbollah que, a partir do sul do Líbano, atacava cidades e postos militares de Israel.
e) a captura de terroristas do grupo Fatah, escondidos entre os civis palestinos dos campos de refugiados de Sabra e Chatila.

Q19) Entre os diversos confrontos civis e militares existentes no mundo atual, o conflito pela posse sobre o território da Caxemira merece destaque, por envolver países importantes da Ásia. Sobre esse território, apresentam-se as quatro afirmações seguintes.
I. A Caxemira é uma região dividida e com o território sob o controle de três países: Paquistão, Índia e China.
II. Ao contrário do restante da Índia, cuja maioria é hinduísta, a Caxemira indiana tem maioria islâmica, tal qual o Paquistão.
III. A ocupação da Caxemira do leste pela China uniu os exércitos do Paquistão e da Índia na luta pela retomada do território ocupado.
IV. O conflito envolve países detentores de explosivos atômicos em seus arsenais.

É correto o que se afirma em
a) I e III, apenas.
b) II e IV, apenas.
c) I, II e IV, apenas.
d) II, III e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.

Q20) Foi destacada a participação brasileira na administração provisória coordenada pela ONU nesse país, o mais jovem estado independente de língua portuguesa, cuja autonomia foi recentemente conquistada, após 25 anos de opressão do governo indonésio. Neste ano de 2002, o povo desse país, enfim, escolheu o seu primeiro presidente.

Assinale a alternativa que contém o país ao qual se refere o texto:
a) Filipinas.
b) Angola.
c) Guiné-Bissau.
d) Papua Nova Guiné.
e) Timor Leste.

sábado, 4 de outubro de 2008

SIMULADO 01 - TENSÕES INTERNACIONAIS

O MUNDO EM SUAS MÃOS ! É VOCE TESTANDO SEUS CONHECIMENTOS ! É O SEU SUCESSO FAZENDO ACONTECER !

TA AÍ, O PRIMEIRO SIMULADO SOBRE QUESTÕES FOCOS DE TENSÕES !

BOA SORTE !


Q1) (Ufam) O sistema de castas, apesar de extinto por lei, ainda se mantém vivo na cultura do povo:
a) druso b) chinês c) muçulmano d) indiano e) turco

Q2) (Ufpel) A disputa que se trava no Oriente Médio entre Israel e Líbano e um confronto geopolítico que ha. mais de meio século perdura na definição das fronteiras entre os Estados envolvidos. Em 28 de junho de 2006, o exercito israelense atacou a Faixa de Gaza e prendeu vários ministros da Autoridade Nacional Palestina na Cisjordânia, sob a alegação de resgatar um soldado seqüestrado por extremistas palestinos. Na verdade, o convívio entre israelenses e palestinos tem raízes históricas, em que pesam elementos definidores do espaço, tais como estado, nação, fronteiras e territórios.Com base em seus conhecimentos e nas informações acima sobre Israel e os TerritóriosPalestinos, é correto afirmar quea) a independência de Israel permitiu que os judeus fossem retirados do território que ocupavam e formassem um estado na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, motivando protesto por parte dos árabes.
b) a ONU aprovou, em 1947, a divisão da Palestina, então administrada pelos britânicos, em um estado árabe e outro judeu, possibilitando a criação de Israel, em 1948.
c) os palestinos ficaram sem território e passaram a viver em acampamentos, apesar de receberem apoio político externo, sobretudo dos EUA.
d) a Organização para Libertação da Palestina (OLP) foi fundada, em 1964, com o objetivo de obter a soberania dos palestinos sobre a região, ainda que permanecessem sob o domínio de Israel.
e) a Autoridade Nacional Palestina (ANP) foi criada em 1993, pelo Acordo de Oslo. Alem disso, estava prevista a devolução dos territórios da Faixa de Gaza e da Cisjordânia para controle libanês.

Q3) (Ufg) Leia o trecho do artigo de Demétrio Magnoli.
As etnias hutus e tutsis foram inventadas pelo poder colonial europeu, que encontrou uma sociedade organizada em torno de um rei de caráter sagrado, cuja autoridade se baseava numa aristocracia de proprietários de rebanhos (os tutsis) que subordinava a massa de camponeses (os hutus). Toda sociedade ligava-se por laços de dependência pessoal, que asseguravam certa coesão. Tudo começou com o censo, que registrou as duas “etnias”. Em 1926, o governo colonial emitiu documentos de identidade com rótulos “tutsi” e “hutu”. Manuais vulgares repetem, até hoje, narrativas históricas que opõem as etnias, usando, para tanto, razões científicas.MAGNOLI, D. O país das cotas e do genocídio. Folha de S. Paulo, 19 ago. 2005. Ilustrada. [Adaptado].O autor discute a relação entre os dois grupos envolvidos no conflito ocorrido em 1994, em Ruanda. Sobre a emergência desse conflito contemporâneo, pode-se afirmar que
a) o desacordo era anterior ao colonialismo, pois historicamente tutsis e hutus disputavam a posse da terra.
b) a distinção entre tutsis e hutus reforçou a oposição ao domínio colonial europeu.
c) o discurso histórico desqualificou a sacralidade da figura real, induzindo os grupos à rivalidade.
d) a exploração dos proprietários de rebanhos sobre os camponeses definia as relações étnicas.
e) as identificações étnicas, patrocinadas por ação governamental, fermentaram o conflito e o massacre.

Q4) (Unesp) A divisão territorial da ex-Iugoslávia originou seis novos países. Assinale a alternativa que contém o nome destes países e sua localização geográfica.
a) República Tcheca, Eslovênia, Macedônia, Croácia, Sérvia, Montenegro; Europa do Sul.
b) Albânia, Macedônia, Bósnia, Croácia, Sérvia, Montenegro; Europa Ocidental.
c) Romênia, Croácia, Eslovênia, Bósnia, Sérvia, Montenegro; Europa do Norte.
d) Bósnia, Macedônia, Croácia, Eslovênia, Sérvia, Montenegro; Europa Oriental.
e) Bulgária, Bósnia, Eslovênia, Macedônia, Sérvia, Montenegro; Europa Mediterrânea.

Q5) (Espm) Após anos de violência, a Sérvia assistiU em dezembro de 2006 ao plebiscito na região para decidir sobre o futuro da soberania do sul. No momento, a região está sob intervenção da Otan. A Albânia, interessada direta na questão, acompanha de perto o pleito.
A região em questão é:
a) Bósnia Herzegóvina. b) Montenegro. c) Krajina. d) Voivodina. e) Kossovo.

Q6) (Espm) Observe o texto que aborda a recente crise no Líbano:Como ensina a Geografia Política, entregar território significa derrota política; ao vencedor, as terras (e não as batatas). Acossado internamente e assistindo a uma possível conexão xiita Irã-Hezbollah, via Síria, Israel tratou de agir.(Carta Capital na Escola, setembro, 2006.)
Sobre o cenário geopolítico do Oriente Médio abordado pela matéria, podemos inferir que:
a) O grupo Hezbollah reivindica a devolução das Colinas de Golan ao Líbano, ocupadas por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1973.
b) A conexão religiosa mencionada no texto, envolve o Irã, Líbano e a Síria, três países de maioria xiita.
c) O Hezbollah é produto da ocupação israelense no sul do Líbano em 1982 e atua na região com freqüentes ataques à Israel.
d) Ao lado do Hammas, o Hezbollah é um grupo palestino que tem sua base na Faixa de Gaza.
e) A partir da Cisjordânia, o Hezbollah faz incursões a Israel e reivindica a devolução dessa importante e fértil região.

Q7) (Uff) Leia a notícia.
Fim do Mundo Mais Próximo
O ponteiro do “Relógio do Fim do Mundo” foi adiantado ontem em cinco minutos. Essa mudança deveu-se às explosões subterrâneas, nos últimos meses, de cinco bombas atômicas pela Índia e seis pelo Paquistão, em testes que ratificaram a entrada dos dois países para o clube de potências nucleares – até então limitado aos EUA, Rússia, Inglaterra, França e China.(...) “As conseqüências de um possível confronto nuclear entre Índia e Paquistão são imprevisíveis”, alerta o Boletim dos Cientistas Atômicos.
a) a disputa pela região da Cachemira, área geográfica fronteiriça de maioria demográfica muçulmana, sob controle majoritariamente indiano;
b) o avanço do terrorismo na região da Cachemira, com domínio paquistanês sobre uma população majoritariamente de origem hindu;
c) a aliança política formada entre muçulmanos do Paquistão e do Afeganistão, sob liderança talibã, contrária ao hinduísmo nas fronteiras;
d) a pressão militar atômica chinesa sobre a Índia, com a decorrente desestabilização da identidade religiosa que une indianos e paquistaneses;
e) o entrechoque de civilizações milenares, tornadas rivais a partir da corrida nuclear estabelecida naquela parte da Ásia, nos últimos anos.

Q8) (Fmtm) Observe as afirmações:
I. quase a metade dos 700 milhões de habitantes dessa região do planeta vive em extrema pobreza, com renda abaixo de um dólar por dia;
II. de cada dez pessoas portadoras do vírus HIV no mundo, cerca de sete vivem nessa região do planeta;
III. a história recente dessa região registra grande número de guerras civis e golpes de Estado. Os conflitos étnicos e religiosos estão associados, na maioria dos casos, à disputa pelas riquezas naturais regionais.As afirmações contêm a problemática de países localizados
a) no Magreb africano.
b) no Golfo Pérsico.
c) na África Subsaariana.
d) na América Central.
e) nas Antilhas.

Q9) (Ufpr) A noção jurídica de genocídio foi criada em 1946, no processo de Nuremberg, para designar o extermínio sistemático dos judeus pelos nazistas. Logo se estendeu também ao extermínio dos índios do continente americano. O termo genocídio remete à idéia de “raça” e ao desejo de exterminar fisicamente um grupo étnico. O termo etnocídio, por sua vez, foi criado há alguns anos para designar não apenas a destruição física, mas principalmente a destruição da cultura de um povo.Com base no texto acima e nos conhecimentos de Geografia, assinale a alternativa INCORRETA.
a) Genocídio e etnocídio são processos que ocorrem nas regiões do globo onde impera a miscigenação devido à elevada heterogeneidade racial e cultural.
b) O genocídio e o etnocídio ocorreram na América, mas, em muitas regiões, não houve a eliminação física das raças nativas e nem o desaparecimento completo das suas culturas.
c) O genocídio pode ser uma estratégia planejada pelo Estado ou por facções políticas armadas e pode resultar da irrupção repentina de conflitos civis, como se verificou recentemente em Ruanda, na África.
d) O etnocídio pode ocorrer também devido a mudanças culturais impostas e/ou induzidas de forma pacífica, por meio do proselitismo religioso, do comércio, da miscigenação e da difusão de tecnologias.
e) Um exemplo contemporâneo de práticas de genocídio e etnocídio está nas perseguições à nação curda, que, não possuindo território autônomo, distribui-se entre Turquia, Iraque e outros países.

Q10) (Upe) Há uma área do planeta que deixou de ser incluída nos mapas políticos oficiais. Ela abrange um território historicamente conhecido, desde épocas remotas. Compreende o sudeste da Turquia, o norte do Iraque, o Centro-Oeste do Irã, uma pequena área de terras no norte da Síria e o sudoeste da Armênia. Há muito tempo, os seus habitantes, que formam uma etnia sem Estado do mundo, lutam pela sua independência.Assinale a área descrita.
a) Azerbaijão.b) Curdistão. c) Sri Lanka. d) Chechênia. e) Cisjordânia.

Q11) (Facasper)“No intricado cenário do conflito político no Oriente Médio, nenhuma figura teve mais impacto que Yasser Arafat,” (Revista Veja, 22/12/2004)
Assinale a alternativa que caracteriza corretamente o líder palestino que faleceu em 2004 e a questão palestina.
a) O líder demonstrou ao longo de toda a sua atuação, cujo início se deu a partir de meados dos anos 60, a meta de atingir os seus objetivos por intermédio de ações pacíficas.
b) O governo de Ariel Sharon, que evidenciou interesse especial em estabelecer relações diplomáticas com o líder em questão, opunha-se apenas a entrega de Jerusalém aos palestinos defendida por Yasser Arafat.
c) A posição do governo George W. Bush foi a de exercer o seu poder de influência, estimulando uma solução negociada entre as duas partes.
d) Pouco antes de morrer, Arafat manifestou publicamente apoio à linha de ação do grupo Hamas, isto é, a destruição do inimigo: Israel
e) A assinatura do acordo de Oslo foi o ponto alto de sua liderança e marcou os maiores avanços diplomáticos para a criação do Estado Árabe Palestino.

Q12) (Ufba)“Desgraçadamente o mundo deve aprender, todavia, a conviver com a diversidade, como nos tem recordado dolorosamente os recentes acontecimentos nos Bálcãs e na África Central. A realidade da “diferença” e a peculiaridade do “outro” podem sentir-se às vezes como um peso ou inclusive como uma ameaça. O medo à “diferença” alimentado por ressentimentos de caráter histórico eexacerbado pelas manipulações de pessoas sem escrúpulos, pode levar à negação até mesmo da humanidade do outro, com o resultado de que as pessoas entram em uma espiral de violência da qual ninguém, nem mesmo as crianças, estão livres.”(JOÃO PAULO II. In:LUCCI, p. 274)
A partir da análise do texto e dos conhecimentos sobre as questões relativas aos conflitos étnicos e políticos que marcaram a história do mundo contemporâneo, é correto afirmar:
(01) O termo “diversidade”, empregado no texto, diz respeito às diferentes características culturais, étnicas e demográficas que, entre outras, identificam os grupos humanos, ao lado de condições geoambientais e econômicas peculiares a cada um deles.
(02) O respeito à diversidade depende das formas de aceitação da diferença entre os povos e pode levar à solução negociada, entre os cidadãos, de conflitos ligados à posse de territórios e à participação no poder.
(04) Os Bálcãs são uma península do sul da Europa, com marcantes contrastes étnico-religiosos, onde as guerras difundiram a expressão “limpeza étnica”, empregada especialmente pelos sérvios na Croácia, na Bósnia-Herzegovina e em Kosovo.
(08) O fenômeno do “medo à diferença” registrou-se, preferencialmente, no confronto entre etnias africanas e asiáticas espalhadas pelo mundo, durante a Guerra Fria.
(16) A África do Sul, atingida durante décadas por conflitos étnicos expressos na prática do apartheid, ainda se inclui na categoria de países que não conseguiram superar os conflitos resultantes do “medo à diferença”.
32) A democracia racial existente no Brasil afasta o “medo à diferença” e impede a ocorrência de fenômenos ligados ao preconceito e ao racismo.
(64) As diferenças étnicas e culturais do continente africano determinaram a forma de distribuição das fronteiras políticas pós-coloniais, minimizando a eclosão de conflitos interétnicos, a exemplo do confronto entre os tutsi e os hutu.

Q13) (Ufrn) Inúmeros conflitos têm ocorrido no mundo como resultado do processo histórico de ocupação e invasão de territórios. Sobre esses conflitos, é correto afirmar que
a) os palestinos lutam, desde a criação do Estado de Israel pela ONU, em 1948, pelo reconhecimento e pela demarcação de fronteiras que configurem um Estado palestino independente.
b) os curdos, menor dos grupos étnicos do Globo, que ocupavam territórios do Iraque, da Síria e do Irã, conseguiram recentemente a formação de um Estado independente.
c) o povo basco tem procurado uma solução pacífica para seus conflitos territoriais, ao abandonar a luta armada, após o acordo de paz assinado, em 1980, com o governo espanhol.
d) a diversidade étnica e cultural é apontada como o principal motivo dos conflitos territoriais na Iugoslávia, sendo a guerra da Bósnia-Herzegovina o mais recente na região dos Bálcãs.

Q14) (Pucpr) A civilização árabe, predominantemente islâmica, constitui-se de dezenas de estados e nações, totalizando um pouco mais de um bilhão de pessoas. O islamismo é atualmente a religião predominante nas seguintes regiões do mundo, EXCETO:
a) A África Saariana
b) As ilhas que compõem a Indonésia.
c) O Oriente Médio.
d) A África Meridional.
e) As ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central, como o Casaquistão e o Uzbequistão, entre outros.

Q15) (Uff) O processo de integração dos países da Europa Ocidental não tem evitado que velhos conflitos reapareçam e imprimam sua marca de violência no interior de estados nacionais.
Isto fica evidente ao se observar:
a) as imposições do partido nacional flamengo, exigindo um parlamento independente da Inglaterra;
b) a escalada do regionalismo político na Alemanha por parte de grupos separatistas neonazistas;
c) as reivindicações de autonomia no sul da Itália (Padânia) por parte dos partidos locais;
d) a ascensão dos grupos paramilitares de origem corsa, que reclamam sua autonomia nacional perante a Bélgica;
e) a ofensiva do grupo ETA que reivindica a independência da histórica região basca, localizada entre o norte da Espanha e o sudoeste da França.

Q16) (Ufpr) "Aparentemente, a atual onda de conflitos étnico-nacionalistas contraria a tendência para a formação de uma civilização mundial. De fato, enquanto um movimento - a onda de conflitos - caminha no sentido da fragmentação, outro - a formação de uma civilização mundial - 'persegue' o sentido da integração/unificação."(LUCCI, BRANCO e MENDONÇA. Geografia. São Paulo: Saraiva, )
Sobre o tema, é correto afirmar:
01) Os conflitos atuais dos países do Centro-Leste europeu surgiram após a decadência do poder econômico e geopolítico da antiga URSS, que mantinha diversas etnias unidas artificialmente.
02) As causas que contribuíram para os conflitos existentes nos territórios da ex-Iugoslávia prenderam-se a diversidades de religião e de etnia.
04) A posse de Jerusalém, cidade santa para o cristianismo, o islamismo e o judaísmo, continua sendo um dos motivos dos conflitos entre judeus e palestinos
08) Os curdos, que estavam espalhados em muitos países do Oriente Médio, conseguiram sua independência no final dos anos 90.
16) A OLP é uma organização clandestina que luta pela independência da Irlanda do Norte.
32) O grupo ETA, que se originou no País Basco, luta pela unificação das comunidades autônomas da Espanha.

Q17) (UERJ) No texto a seguir, são feitas reflexões sobre aspectos do nacionalismo na atualidade."Os movimentos nacionalistas característicos dos anos finais do século XX são essencialmente negativos, ou melhor, separatistas. Daí a insistência colocada nas diferenças 'étnicas' e lingüísticas, que aparecem, às vezes, de forma individual ou combinada com a religião (...)". (HOBSBAWM, E. J. "Nações e nacionalismo: desde 1870". Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1990.)Dentre os conflitos internacionais descritos, aquele que pode ser corretamente relacionado ao texto é:
a) A intervenção do governo indonésio no Timor Leste, em 1999, acarretou disputas com massacres da população muçulmana e destruição de cidades.
b) A população de maioria católica da Bósnia, em 1989, organizou a luta contra o domínio da Albânia com o apoio das milícias sérvias e de tropas croatas.
c) A suspensão da autonomia de Kosovo pelo governo sérvio, em 1989, gerou um movimento político, com luta armada e formação do Exército de Libertação.
d) A divergência entre os grupos políticos da Tchetchênia, em 1996, desencadeou um levante militar com a participação da minoria da população eslava e o apoio da Rússia.

Q18) (Adaptada da Unirio) Após a Guerra da Bósnia, a antiga Iugoslávia continuou assolada por conflitos e acirramento das tensões étnicas. Em que outra área específica da região balcânica o conflito atingiu proporções desumanas?
a) Na Ucrânia, parte da Croácia, de maioria russa.
b) Na Eslováquia, de grande maioria grega.
c) Na Eslovênia, hoje independente e região mais rica e industrializada.
d) No Kosovo, parte da atual Iugoslávia, e de maioria albanesa e muçulmana.
e) Em Montenegro, ao norte da Sérvia, de maioria turca.

Q19) (Unb) Na construção da nova ordem internacional, verifica-se a crescente influência das religiões, em suas vertentes fundamentalistas. Assim, o Islã e o Judaísmo estão constantemente em evidência, tornando-se necessário melhor entender tais fenômenos religiosos. Julgue os itens adiante, relativos a esse assunto, escreva a soma dos que estejam corretos.
(01) O fundamentalismo é um fenômeno essencialmente islâmico, que se expressa em Israel, no Irã, na Argélia e no Egito.
(02) Todo árabe é islâmico.
(04) O mundo islâmico inclui Indonésia, Bangladesh e Nigéria, possuindo redutos em países tais como Inglaterra, França, Alemanha e Estados Unidos.
(08) Egito, Israel, Jordânia e OLP já aderiram oficialmente ao processo de paz no Oriente Médio.

Q20) (Cesgranrio) Entre a índia e o Paquistão existem diferenças mercantes, que alimentam conflitos territoriais há décadas como, por exemplo, a disputa pela região da Cachemira. Uma diferença básica entre aqueles dois países, geradora de forte tensão social, é o(a):
a) avanço do programa nuclear paquistanês bem à frente do indiano.
b) processo de colonização: europeu, na índia e asiático, no Paquistão
c) processo de urbanização mais organizado no Paquistão do que na índia.
d) maioria da população muçulmana, no Paquistão, e hindu, na índia.
e) condição da índia como país central, e do Paquistão como periférico.

domingo, 28 de setembro de 2008

FOCO 50: OS CONFLITOS NA REPÚBLICA SUL AFRICANA !

A chegada dos europeus no Sudeste da África foi a mais traumática experiência que as comunidades residentes já tiveram.
O Oeste da Europa — de todos os maiores centros de potência do mundo — foi, provavelmente, o que menos teve sucesso em qualquer grandiosa tentativa de conquista territorial.
No entanto, houve três questões que provaram, juntas, que eles eram os agitadores do mundo; uma perspectiva religiosa, partidária e obrigatória; uma capacidade de assimilar as invenções de terceiros, tais como a elaboração de mapas, a navegação, a utilização de pólvora; e um desejo de obter riqueza e sustento, partindo da falta destas coisas.
Isso levou os governantes a racionalizar suas necessidades estabelecendo empresas de marinha mercante sob carta patente. Primeiro os portugueses — cujas experiências anteriores no Sudeste da África foram desanimadoramente violentas — e, mais tarde, os holandeses, os ingleses e os franceses, todos os que viram o valor del Regão do Cabo como uma fronteira estratégica na rota para os impérios no Leste. Apenas os holandeses estabeleceram uma base em terra firme para a sua Companhia do Leste da Índia (VOC), (Instituição Holandesa de suprimentos) em 1652, visando proporcionar a passagem de navios com comida, água e medicamentos para os navegadores doentes.
Provavelmente, eles ficariam satisfeitos com isso, se uma única base fosse suficiente.

No entanto, o Khoikhoi percebeu que — devido à construção de um castelo de pedra e ao estabelecimento de fazendeiros na terra —, os holandeses pretendiam ficar e começaram a resistir e a combater as tentativas das expedições da VOC de tomar à força seu gado.
Os holandeses tampouco foram repelidos pelos hábitos sociais de Khoikhoi, ou admirados como "nobres selvagens" e, gradualmente, se sobrepuseram a eles, tomando posse de seus rios, terras e gado e incorporando-os como peões nas terras ou em seus exércitos. A estrutura política dos clãs de Khoikhoi não foi forte o suficiente para resistir.
Para a VOC, a necessidade por mão-de-obra era tão urgente que eles também trouxeram escravos dos seus impérios do Leste e de regiões nos dois lados da África, dentro da primeira década de estabelecimento. Essa decisão controvertida lançou uma sombra longa. Um escravo não possuía direitos legais e, ao contrário dos escravos da América, quase não tinham chance de libertação através da conversão ao Cristianismo.
Em Cape, a obrigação de libertação dos convertidos funcionou como uma barreira para a conversão — um fato que tornou atrativa a conversão para o Islamismo, por razões políticas, assim como religiosas.
Os escravos de propriedade das companhias ou residentes na cidade tiveram oportunidade de praticar o comércio. Outros, especialmente aqueles de propriedade dos fazendeiros, eram controlados severamente. Para as escravas, o casamento não era uma opção, porém era freqüente o concubinato com homens brancos.
A Região do Cabo tornou-se uma sociedade composta por grupos desiguais e distintos, e os negros livres nunca foram numerosos ou fortes o suficiente para quebrar as barreiras. Os membros da VOC e os proprietários brancos das terras — mesmo brigando uns com os outros — estabeleceram um domínio garantido por lei e estimularam a imigração livre em pequena escala.
Os brancos mantiveram esse status por três séculos e meio, apesar das várias tentativas de emancipação dos oprimidos durante vários anos.
Uma tentativa parcialmente bem-sucedida de libertá-los, foi feita durante os anos de 1807 a 1838. Os ingleses tomaram posse da Região do Cabo, durante as guerras revolucionárias da França e tornaram-na uma colônia em 1795, salvo um breve retorno da lei holandesa de 1803 a 1806.
O dominio holandês era inicialmente, tão autoritário quanto a VOC. No entanto, os novos dominadores, chegados principalmente em 1820 — com uma experiência do conflito político no Reino da Inglaterra — lutaram para ganhar liberdade política. Primeiramente, com uma bem-sucedida campanha para liberdade de imprensa nos anos de 1820 e, mais tarde, através do estabelecimento, em 1853, de um governo de baixa representatividade.
Um diferente tipo de campanha — conduzido por grupos de pressão na Inglaterra com apoio missionário local — foi estabelecido a fim de libertar os servos e os escravos. Embora, racionalmente, tenha sido uma tentativa de balancear a liberdade com a necessidade de manter a emancipação no trabalho remunerado, não recebeu muito apoio dos empregadores locais.
Por esse motivo, apesar de Khoikhoi ter obtido uma 'carta de liberdade' em 1828, e os escravos terem sido libertados depois de quatro anos de 'aprendizado' em 1838, a pressão dos empregadores das cortes reprimiu a efetividade destas duas medidas em uma dimensão considerável.

Conflito nas Fronteiras da Expansão Colonial
A partir dos primeiros dias de colônia, os escravos tentaram escapar das áreas de controle da VOC, geralmente sem sucesso.
Os europeus se mudaram para caçar, trocar, furtar e — protegidos por negligentes leis sobre terras — fixarem-se com suas criações. Eles fizeram isso porque as oportunidades da colônia eram limitadas ou porque, como os escravos, também queriam escapar do controle da VOC.
Por isso, instalaram-se em uma zona fronteiriça já povoada pelos caçadores San, e, no Norte e no Leste, por pastores Bantu. Com cavalos e mosquetes, os europeus podiam atirar na caça da qual os Sans dependiam e por volta de 1880, as colônias de San moveram-se para o Norte através do Rio Gariep (Laranja), depois de um século de conflito.
Houve uma outra fronteira de conflito nos anos de 1770, cerca de mil quilômetros a leste da Cidade do Cabo, na área entre os rios Sundays e Kei. Ali, nas margens onde a pluviosidade era maior, os colonos de Khoikhoi e Bantu encontraram os intrusos europeus que, como eles, valorizavam a terra como um bem e utilizavam-na para plantio e pastagem do gado.
O comércio entre estes grupos de oposição — o primeiro oferecendo peles e marfim, o segundo mercadorias da Europa —, contribuiu muito para moderar as relações, assim como a ação dos missionários, que podiam agir como mediadores das disputas. Mas, isso não podia evitar uma luta pelo gado nos dois lados da fronteira, que, eventualmente, travavam uma série de batalhas. Nestas, ganharam os europeus, devido ao armamento superior. Eles se organizaram, no final dos anos de 1800, para declarar o controle sobre todo o território nas fronteiras da colônia britânica de Natal.

De 1836 a 1838, as tensões na fronteira levaram a uma segunda emigração, mais deliberada da Região do Cabo, conhecida como "Great Trek". As partes organizadas dos Voortrekkers (Pioneiros), com seus partidários Khoikhoi, moveram-se para o Norte em protesto contra a política de fronteira e os aspectos liberais das leis britânicas, para estabelecer suas próprias repúblicas no que se dizia serem terras desabitadas.
Mas as terras não eram desabitadas e, em qualquer circunstância, os Voortrekkers precisavam de terras, mesmo que já habitadas, onde houvesse água e uma fonte potencial de trabalho.
Em 1800, a o Sul da África era uma região sem qualquer rota fácil para o tráfego rodoviário, com quase nenhuma cidade digna de nome, um número reduzido de bancos e um comércio pouco organizado, exceto para a exportação de produtos da animais, especialmente lã. Grandes rebanhos de caça andavam livremente pelas terras do interior, as quais não podiam sustentar colônias humanas de qualquer porte.
Em 1900, no entanto, muito disso mudou. A principal razão foi a descoberta de diamantes perto da confluência dos rios Orange e Vaal, em 1867, e de ouro — primeiro na região de Tati, no mesmo ano, depois como pepitas aluviais no leste de Transvaal nos anos de 1870, e mais de dez anos depois, como pó cravado nas pedras em Witwatersrand (1886).
Os garimpeiros chegaram principalmente da Inglaterra, mas também de vários outros lugares. Eles se estabeleceram como trabalhadores negros emigrantes nas regiões de colônia da África: Sotho do Norte e Sul de Vaal, Tswana de Marico, Zulu e Swazi do Sudeste.

Em seguida, vieram os bancos imperiais e as estradas de ferro. Favelas foram estabelecidas. Os cavadores discutiam uns com os outros e tentavam excluir os garimpeiros africanos (subseqüentemente introduzindo o uso de recintos cercados como dispositivo para seu controle). Roubavam ou contrabandeavam mercadorias preciosas, apresentando uma séria ameaça à ordem pública.
A soberania nos campos de extração de diamantes eram contestadas. As fortes reclamações legais, baseadas na ocupação, eram aquelas de Griqua e de Rolong, e em termos de acordos internacionais do Estado Livre de Orange (OFS). Um mediador britânico concedeu o território a Griqua.
A Inglaterra então aceitou o controle de Griqua em 1871, como a colônia Coroa de Griqualand Oeste, ignorando as reclamações das repúblicas de Rolong e de Boer, e declarou a necessidade de imposição de leis. Ela também compreendeu o valor estratégico da 'estrada para o Norte' passando pelo lado Leste do deserto Kalahari, o qual os governantes republicanos de Boer poderiam bloquear facilmente.
O OFS foi recompensado em dinheiro em 1876, mas os problemas nas relações interestaduais não acabaram por muitas razões. As descobertas induziram a procura de laços econômicos mais próximos entre os estados separados e as colônias do que a disposição política deles podia sustentar.
Os trabalhadores correram para os campos de mineração, através do território republicano e retornaram com armas de fogo. Isso pode ser relacionado à eclosão de uma seqüência de conflitos com as forças armadas coloniais e republicanas entre 1876 e 1881, estendendo — se ao longo das fronteiras do Leste de Cape a Lesotho, Zululand e Leste de Transvaal e em volta de Griqualand Oeste.
Esta foi a era mais selvagem de lutas na história da África do Sul, na qual os comandantes negros combateram um número de heróicas retaguardas na defesa de suas terras — sobretudo aquelas de Phuting contra as forças do Cabo e de Pedi contra os Boers e os ingleses na Provincia Transvaal.
Contudo, os africanos também lutavam entre eles pelo resíduo de seus territórios diminuídos — sobretudo o conflito: o de Ngqika-Mfengu em trans-Kei em 1874, e aquele entre os comandantes de Rolong e Tlhaping nas margens do Kalahari, no qual voluntários brancos tomaram parte nos dois lados. Como conseqüência, todos os comandantes africanos do Sul de Limpopo tiveram que submeter-se às regras brancas antes de 1900.
Neste meio tempo — enquanto a cobiça pelo acesso à África crescia entre as potências européias — o governo britânico estabelecia sua supremacia mantendo o passo. Resolveu unir os territórios separados em um esquema federal de sua própria autoria, do qual fez parte a anexação de Transvaal, por meio de um golpe em 1877.
Este esquema federal foi efetivamente anulado através de uma vitória de Boer sobre a Inglaterra em Majuba em 1881. Mas a consolidação das minas de ouro de Transvaal ameaçou tanto até descontrolar a balança econômica da região com prejuízo para as colônias costeiras, fazendo a Inglaterra ainda temer por sua supremacia, estabelecida pelo enfraquecimento daquela república, que estava sob a liderança de Paul Kruger.
O confronto começou entre Kruger, um líder de grande poder carismático, e Cecil Rhodes, um magnata primeiro ministro de Cape, cujo poder estava ligado aos diamantes de De Beers, a Companhia Licenciada no Norte de Limpopo, e em Consolidated Goldfields.
Quando Rhodes foi desacreditado — por seu plano de um segundo golpe contra a república de Jameson Raid em 1895 —, o manto da política britânica caiu sobre os ombros de Sir Alfred Milner. E foi sua pressão, apoiada por Joseph Chamberlain, o secretário da colônia britânica, que induziu Paul Kruger a antecipar-se uma declaração de guerra à Inglaterra em outubro de 1899.

A Guerra Anglo-Boer de 1899 a 1902
Militarmente, o conflito entre as forças britânicas e de Boer pode ser dividido em duas fases.
Primeiro, um período de sucessos do comando de Boer, rapidamente revertido, após a chegada da força principal britânica em janeiro de 1900, que tomou os capitais republicanos entre março e junho.
Depois, veio a fase de guerrilha, quando as forças de Boer reagruparam-se depois da queda de Pretoria, e continuaram o conflito por dois anos, antes de aceitarem, relutantemente, os termos de paz da Inglaterra em maio de 1902, no Tratado de Vereeniging.
Embora freqüentemente chamada de 'guerra do homem branco', este conflito envolveu toda a população da África do Sul de uma maneira ou de outra. As mulheres e crianças de Boer — que foram expulsas das fazendas ou vilarejos incendiados pela Inglaterra — eram enviadas para campos de concentração, onde muitas morreram por doenças, ou iam suportar a exposição da vida de comando no campo. Os trabalhadores de fazendas ou minas também eram concentrados em campos e submetidos a tarefas pesadas pelo exército britânico. Os Boers atacaram as reservas africanas para alimentação.
Os africanos reassumiram o controle sobre a terra e o gado previamente tomados pelos Boers e, em raras ocasiões, atacaram os comandos de Boer. A Lei Marcial foi proclamada por toda a região e os movimentos de pessoas foram drasticamente restringidos.
Para as escoltas africanas no lado britânico ou para os Boers capturados com uniformes britânicos, as punições eram rápidas e mortais. Quanto aos 10 mil rebeldes de Afrikaners do Cabo condenados por traição, uma pequena quantidade dos condenados à morte pelas cortes militares eram mortos a tiro.

Mesmo perdendo a guerra, os Boers ganharam a paz. Os britânicos a favor dos Boers minaram a complacência moral dos vitoriosos, que decidiram conceder generosas penas aos Boers, a fim de garantir uma influência permanente na África do Sul. Isso foi uma grande perda para os africanos (que foram excluídos do poder político e forçados a devolver parte das terras tomadas dos Boers durante os anos de guerra).
A Inglaterra implementou esta decisão entre 1906 e 1907, concedendo constituições que deram controle político a ambas ex-repúblicas — com, talvez, mais generosidade do que a pretendida. Mas eles não fizeram objeção em 1909, quando a Convenção Nacional Sul-Africana optou por uma constituição que garantia a retenção do poder político em mãos brancas (predominantemente afrikaner).

A União da África do Sul 1910 - 1960: Um Estado Branco
O ânimo dominante dos Afrikaners, após o retorno do autogoverno, foi resultante das conciliações; primeiro entre Boers e King (cujos assuntos eles concordaram em realizar); depois entre Cape e os Afrikaners republicanos; e finalmente entre "hensoppers" (aqueles que se dão por vencidos) e "bittereinders" (os intransigentes) nas condições sociais de Boer. Isso trouxe Louis Botha e Jan Smuts ao comando de um governo de coligação em tudo, exceto no nome, e a parte da União Inglesa desapareceu da política em poucos anos.
As feridas impostas pela guerra penetraram fundo no Afrikanerdom. As escritas angustiadas de Eugene Marais e outros refletiram um nacionalismo muito mais intenso do que o já sentido pelos Afrikaners. O general JC Smut — justificando sua decisão em render-se em 1902 — argumentou que isso era para garantir a sobrevivência do povo Afrikaner.
A conciliação não deu certo. Tentativas anteriores de consolidar movimentos culturais e políticos de Afrikanerdom, nos anos de 1870 e 1880, foram revividas e encontraram uma reação contra a conexão imperial e em oposição à guerra contra os alemães em 1914, que trouxeram de volta vários líderes do ex-comando chefiando a rebelião.
Um novo republicanismo Afrikaner, com o general JBM Hertzog como seu representante, foi apoiado pelos elitistas, oculto em Broederbond e um grande número de sociedades culturais, de bem-estar e saúde, criadas para cuidar do povo Afrikaner, em particular daqueles muito pobres, vítimas da guerra.
A união imperial ainda possuía um problema para alguns de seus seguidores, que Hertzog foi capaz de resolver aceitando uma fórmula de salvação em 1926, quando ele era primeiro-ministro. Isso possibilitou à África do Sul manter-se como membro da Comunidade Britânica em paridade legal sob a Coroa.

No entanto, nem todos os seus seguidores podiam aceitar isto e o ‘Império’ ainda era uma parte da estrutura de contenção, quando houve a Segunda Guerra Mundial em 1939, mesmo para o próprio Hertzog, que tentou e não conseguiu manter a África do Sul neutra.
O Dr. DF Malan e seus "refinados" nacionalistas — que romperam com Hertzog em 1934 — obtiveram sucesso em sua iniciativa e formaram uma forte oposição durante os anos de guerra, ainda conduzida para manter a disciplina do governo parlamentar. Com isso, eles manobraram melhor aqueles que eram favoráveis à rebelião, tais como Ossewa Brandwag e Oswald Pirow, do grupo nacional socialista da Nova Ordem.
A chance de Malan veio em 1948, quando seu Partido Nacional ganhou a maioria das cadeiras no parlamento com uma minoria de votos. Sob uma sucessão de líderes, principalmente Hendrik Verwoerd, BJ Vorster e PW Botha, o partido manteve o poder até 1994, através de uma demonstração notável e bem-sucedida de controle político, a despeito do que poderia ser utilizado contra ele.
Para obter votos dos negros, o partido passou por cima da Constituição. Em 1961, trabalhou à sua maneira fora da comunidade britânica, sem se incomodar com a indignação dos eleitores ingleses com a quebra de seus direitos. Sujeitou o país a uma cirurgia social massiva, a qual trouxe grande aflição para todas as comunidades negras, mas "segurança" e grande conforto para a maioria branca.
O partido trabalhou para introduzir os mecanismos judiciais de um estado político, de forma ilícita, fazendo uma oposição extraparlamentar ilegal, mas sem ter que abolir a oposição parlamentar ou a liberdade total da mídia. Sobreviveu, por duas décadas, a indignidade de fazer parte da lista de párias internacionais nas Nações Unidas.

O Estado do Apartheid
O sucesso político do Partido Nacional pode ser explicado, parcialmente, pelo fato de que muitas das suas atividades políticas não representaram um rompimento maior com o passado.
Isso também era verdade no tratamento das relações intergrupos. Não inventou segregação — que era uma marca oficial da era de Reconstrução sob o comando de Lord Milner — e já tinha encontrado expressões na legislação residencial, rural e urbana, de 1910 a 1924 e (para os Indios de Natal) de 1943 a 1946.
Não inventou a barreira racial, datada antes da União e regularizada por Hertzog em 1926. Não inventou as leis de salvo conduto, embora tenha se apoiado nelas na revolta de Sharpeville em 1960. E não precisou prender mais de 600 mil pessoas por ano, no final da década de 60, para impedir sua livre circulação.
Mesmo depois de 1948, o Partido Nacional comprometeu-se com a ideologia do apartheid, que foi refinada nos conclaves de Broederbond. Isto mergulhou a política da África do Sul em uma fase escura, aumentando a convicção de poucos líderes proeminentes — alguns deles ideologistas e outros pragmatistas (os quais nunca encaravam) amorais — de que eles tinham encontrado uma fórmula que podia garantir o futuro da minoria branca no próximo século.
O ideia era formar uma maior política branca permanente, expurgando o papel de todos os eleitores negros e criando 'terras natais' para os africanos (e talvez pessoas Indianas), onde a política alternativa pudesse ser feita para que eles liderassem o autogoverno e uma forma de independência.
Isso incluia a imposição de segregação total (sujeita à necessidade econômica, de acordo com os pragmatistas, mas não com os ideologistas), para que cada cidade fosse dividida em 'áreas de grupos', separando as pessoas por categoria racial como registrado em sua livros Carteira do identidade e inserido em um registro nacional.

O objetivo era eliminar categorias irregulares através da proibição total de casamentos 'mistos' (isto é, inter-racial).
O Apartheid também incluiu a retenção do poder econômico em mãos brancas, apertando a barreira racial de trabalho e direcionando os negros capacitados para suas próprias áreas.
Por um tempo, isso foi relacionado a uma política de descentralização industrial, para que os centros fabris pudessem ser estabelecidos nas fronteiras, para as quais os empregados negros e brancos podiam viajar, a partir dos lados opostos — sem infringir as delimitações das áreas de grupos —, ou sem precisar de uma migração de longa distância para os negros. Este era o sonho.

O Fim do Apartheid
A história da África do Sul tem mostrado o quanto, efetivamente, uma distribuição de poder distorcida, mas legalizada, pode resultar num sistema social deformado, quando apoiado por forças de segurança enérgicas; mas também como a autoridade moral de uma determinada oposição — mesmo fora das estruturas legalizadas — pode desafiar aquele poder, se operar a partir de uma base segura e receber apoio externo.
As políticas extraparlamentares na África do Sul não são novas. Elas começaram a surgir nas colônias e nas repúblicas bem antes do final dos anos de 1800. Elas ofereciam condições para as estratégias políticas baseadas na "força da alma", desenvolvida pelo líder indiano Mahatma Gandhi, durante sua breve carreira em Natal. Ecos que deveriam ser ouvidos em atos posteriores de desafio contra as leis ultrapassadas, sobretudo em 1952 e 1960.
A instituição que surgiu em 1912, como Congresso Nacional dos Nativos da África do Sul, posteriormente Congresso Nacional Africano (ANC), voltou os olhos para suas origens, para um grupo de congressistas nativos e uma Convenção de Nativos da África do Sul, cujos protestos contra as decisões da Convenção Nacional branca em 1909 passaram despercebidos.
Outras formas de resistência — que se desenvolveram sob a sombra da supremacia branca — podem ser vistas em apelos e soluções desesperadas e suicidas, como entre o Xhosas em 1857; no movimento separatista das igrejas negras, especialmente a partir de 1880; na imprensa africana de 1884; em atos periódicos de rebelião (principalmente em Natal em 1906) e em revoltas rurais de pequena escala; na formação de várias uniões políticas entre os trabalhadores rurais e urbanos (principalmente a União Industrial e Comercial de 1919 e a União do Partido Comunista da África do Sul (SACP) com os sindicatos nos anos de 1930 e 1940).
Sem direito de voto — salvo durante um curto período na Região do Cabo —, impedidos por lei de tomar ações industriais efetivas e incapazes de ouvir, adequadamente, as autoridades sul-africanas e britânicas nos primeiros anos de formação, os movimentos políticos negros tiveram pouca chance de sucesso.

Primeiro, eles tentaram a colaboração dos brancos liberais; mas como estes últimos foram incapazes de formar uma base de poder, os negros foram atraídos ao SACP, cuja postura era mais radical ou voltava-se para ações diretas através de ostensivas manifestações de descontentamento, ações de greve em protesto à lei e vários boicotes da comunidade.
A resistência cresceu, sensivelmente, durante a Segunda Guerra Mundial e atingiu o auge com uma greve dos garimpeiros e a renúncia de Hertzog na fracassada representação do Conselho de Representantes Nativos, em 1946.
Seguiu-se uma década de confrontos diretos durante os anos de 1950, quando o corpo principal da legislação do Apartheid foi decretado e os movimentos negros lançaram tudo o que tinham na oposição.
Então, após sete importantes manifestações desde 1900, veio Sharpeville. A polícia matou 69 e feriu 180 manifestantes africanos na província de Transvaal. Ao mesmo tempo em que Harold Macmillan's comemorava o discurso de "ventos de mudança", a campanha do Dr. Verwoerd para estabelecer uma república branca estava posicionando a África do Sul em direções opostas.
O Estado continuou contra os movimentos políticos negros com uma nova legislação que intimidava, conduzindo prisões em massa, privando os prisioneiros políticos dos direitos e permitindo que os oficiais de polícia utilizassem métodos de terceiro grau contra eles impunimente.
O ANC foi elabborou secretamente com uma estratégia de violência controlada, mas acelerada. Um dissidente Congresso Pan Africano (PAC) foi menos acomodado e seu fundador Poqo iniciou uma campanha de terror. Com bases no exílio, tanto o ANC quanto o PAC lutaram por mais de uma década, sem ter conseguido penetrar na segurança do estado de apartheid — mesmo com o crescente apoio internacional. Nos anos 70, no entanto, o equilíbrio começou a mudar.

A alta do preço do petróleo, em 1973, provocou uma inflação mundial e pressionou de tal forma o custo de vida que os trabalhadores negros sul-africanos, incluindo os garimpeiros, passaram por cima da proibição de atividades de greve e conseguiram aumento salarial.
Em 1976, uma rebelião de estudantes em Soweto contra um sistema educacional ofensivo, se espalhou como fogo pelo país, seguindo um novo movimento de Consciência Negra, liderado por Steve Biko para encorajar os africanos. A prisão e a morte de Biko quem estava sob custodia da policia gerou uma nova explosão da ira pública.
O governo começou a desviar-se de sua legislação industrial para apaziguar a pressão dos trabalhores em uma retirada passo-a-passo contra as demandas dos sindicatos comerciais. Depois de reconhecer a distinção entre apartheid ‘grandioso’ e ‘insignificante', a fim de reforçar o primeiro, trouxe outros aspectos do Apartheid, incluindo educação e a completa estratégia de desenvolvimento econômico — com baseado na pátria — em revisão.
Sabe-se que desde o censo de 1970, as estatísticas, nas quais foi baseada a política de Verwoerd, não fizeram sentido.
O moral do governo foi quebrado por pressões irresistíveis.
Estados de emergência, primeiramente decretados em Sharpeville e repetidos em 1976 e 1985, mostraram-se cada vez menos efetivos. A liberação da África atingiu as fronteiras da África do Sul com o fim da guerra da Rhodesia (hoje conhecido como Zimbabwe) e a falência da Colônia de Moçambique.
O comércio internacional e os boicotes de armamentos aumentaram com o envolvimento das tropas sul-africanas na guerra na fronteira de Angola — no início um preâmbulo da crise no Sud-este Africano (Namíbia), mas um importante desafio econômico e militar, quando os bancos mundiais iniciaram uma pressão financeira e os MIGS Cubanos e as tropas terrestres vieram auxiliar o governo de Angolano.

Extraordinário trabalho combinado com boa sorte, eventualmente, possibilitaram ao governo elaborar uma saída para sua crise.
O equilíbrio do conflito na África foi por água abaixo com o colapso da União Soviética, tornando a política americana de empenho construtivo — como anunciada por Dr. Chester Crocker — repentinamente realista.
O ANC adquiriue uma posição de força e resistência no mundo muito maior do que a da república. No entanto, uniu-se ao Movimento Democrático de Massa, uma resposta interna à tentativa do Presidente PW Botha de estabelecer um novo sistema parlamentar em 1983, o qual incluiu a Câmara dos Deputados para as pessoas mistisas e para os indianos, mas não para os africanos negros.
O papel principal do ANC em qualquer ação de incentivo foi claramente demonstrado na decisão dos líderes brancos em engajar seus líderes exilados em conversações de sondagem entre 1988 e 1989. O resultado final foi uma decisão do presidente FW de Klerk de liberar o líder aprisionado do ANC, Nelson Mandela, incondicionalmente, em fevereiro de 1990, depois de ter passado 27 anos na prisão. Nessa ocasião, a adesão consistente do ANC ao princípio de democracia não-racial pagou dividendos. Criou uma base de confiança que possibilitou que todos os partidos políticos, negros e brancos, se reunissem no World Trade Centre, próximo a Johannesburgo, de 1991 a 1993 e se esforçassem para criar uma constituição de trasição.
Isso conduziu a um Governo de Unidade Nacional mais amplo e mais explícito do que as tentativas de corrigir as aberturas políticas feitas por Louis Botha em 1910 e Barry Hertzog em 1933. Houve murmúrios, como quando brancos da direita dirigiram-se em um carro blindado ao World Trade Centre para dar sua opinião. No entanto, a conciliação venceu — tanto as negociações constitucionais quanto a primeira eleição democrática, ocorrida em abril de 1994 — ignorando as tentativas de miná-las.
Os primeiros 18 meses na vida da "nação arco-íris", como se esperava, foram repletos tanto positivo quanto negativo. Do lado positivo; um avanço da moralidade nas realizações da Naçõe Unida em vários campos do esporte internacional. Do lado negativo, violência política disseminada, especialmente, mas não somente, na Provincia : KwaZulu-Natal, a criminalidade crescente na forma de assaltos pessoais, depredação de táxis, seqüestros e corrupção de colarinho branco.
Muitos dias de trabalho foram perdidos durante os conflitos nos locais de trabalho enquanto os líderes industriais e de negócios falavam sobre crescimento econômico e privatização, os trabalhadores exigam mais e melhores empregos, mesmo que surguisse inflação, durante o momento crítico do progresso, sendo : o início lento na construção de novas casas, integração do sistema educacional, e progresso na força policial e a elaboracão de uma nova constituição.

Um Estado Democrático
Uma nova Constituição — adotada pelo Parlamento em maio de 1996 — entrou em vigor em fevereiro de 1997, após a certificação feita pela Corte Constitucional.
Logo depois, o Partido Nacional abandonou o Governo de Unidade Nacional (GNU), deixando somente o IFP (Partido Livre de Inkatha) — que não participou do processo de elaboração da Constituição —, como parceiro do Congresso Nacional Africano (ANC) no Governo.
Ocorreram alguns desvios nas alianças políticas desde 1994. Um novo Movimento Democrático Unido foi formado em 1997 — comandado por Bantu Holomisa (ex-ANC) e Roelf Meyer (ex-NP) — que tiveram de deixar o Parlamento depois de pedirem asilo político nos termos da Constituição.
O PAC escolheu o Bispo Stanley Mogoba como seu líder em dezembro de 1996, tentando atrair os nacionalistas moderados negros.
Em março de 1997, o governo se comprometeu com uma política de Crescimento, Emprego e Redistribuição (GEAR = Growth, Employment and Redistribution). Objetivo: expandir a economia para sustentar a criação de empregos e o bem-estar, promovendo a privatização de algumas empresas estatais e atraindo o capital estrangeiro.
O rand desvalorizou em relação a outras moedas, mas se estabilizou no final de 1997. Mas, ao contrário da experiência de 1932 — quando a liberação da moeda foi amortecida pela estabilização do ouro —, o valor do ouro caiu no mercado internacional, juntamente com a queda do rand, necessitando de maiores reduções no trabalho nas minas, justo quando era urgente aumentar o emprego no setor industrial.
Ao mesmo tempo, as boas perspectivas para o comércio de exportação na África do Sul — proporcionadas por um rand barato — foram enfraquecidas pelo repentino colapso dos mercados do Extremo Oriente, nos quais a África do Sul procurava por expansão.

O desemprego industrial no primeiro ano do GEAR, colaborou para uma campanha — comandada pelo Congresso dos Sindicatos da África do Sul — para abandonar o GEAR em favor do ousado orçamento deficitário, visando criar mais empregos e aumentar o bem-estar social, com a esperança de que um ‘novo acordo’ estimulasse o mercado doméstico.
No entanto, enquanto a ação era promovida, o GEAR permaneceu ativo não apenas na provisão de treinamento, mas também na distribuição de empregos nos setores público e privado.
O governo também começou a resolver as dificuldades no desbalanceamento da provisão de fundos públicos e nas mordomias, na saúde e bem-estar, através da rápida expansão de bons serviços e estendendo os direitos de bem-estar a muito mais crianças. Na educação, onde desequilíbrios e rígidos padrões caracterizavam o sistema de educação do governo do Partido Nacional, o governo estabeleceu número igual de professor/aluno em todo o país, necessitando de expansão dos cargos de professor em algumas províncias e reduções drásticas em outras.
Em outros campos — tais como a retificação dos direitos de terra (a despeito de alguma controvérsia sobre os direitos dos inquilinos trabalhadores) e a ampliação do acesso aos recursos de água —, o desempenho do governo foi impressionante. O controle da criminalidade, contudo, permanece como um dos maiores desafios.
A Constituição deu ao ANC a supervisão centralizada sobre a administração regional, mas a eleição dos governos provinciais através do processo democrático, levou a liderança do partido a umacompetição com seus parceiros de aliança assim como os ‘favoritos’ locais. Isso levou a grandes disputas no Estado Livre, KwaZulu-Natal, Província do Nordeste e Gauteng, pelos postos de liderança, os quais o Executivo Nacional tinha dificuldade de controle.
A Comissão de Reconciliação e Verdade, estabelecida em 1995, recebeu três tarefas: ouvir todos que pretenciosamente cometeram uma grande violação dos direitos humanos, tanto nas mãos do governo anterior como nas mãos dos libertadores; receber requerimentos daqueles que cometeram violações, na expectativa de anistia para as confissões; e oferecer recuperação adequada às vítimas.


NOTÍCIAS ATUAIS SOBRE O TEMA

Parlamento designa Kgalema Motlanthe como novo presidente da África do Sul
Da EFE
Johanesburgo, 25 set (EFE).- O vice-presidente do Congresso Nacional Africano (CNA), Kgalema Motlanthe, foi designado hoje como novo presidente da África do Sul pelo Parlamento do país, na Cidade do Cabo.
Motlanthe, que recebeu 269 votos, é o terceiro presidente negro da África do Sul, depois da queda definitiva do regime segregacionista do "apartheid".
O partido opositor Aliança Democrática, o único que apresentou outro candidato, Joe Seremane, recebeu 50 votos e houve 41 votos nulos, do total de 360 parlamentares presentes à sessão.
O novo presidente substitui Thabo Mbeki, forçado a deixar a Chefia do Estado depois da exigência do próprio partido do então presidente no sábado passado.
A votação, dirigida pelo presidente da Corte Suprema de Justiça, juiz Pius Langa, ocorreu pouco depois das 12h (7h de Brasília) na sede do Parlamento na Cidade do Cabo, a capital legislativa do país.
Esta tarde, o novo presidente da África do Sul deve tomar posse e nomear um novo vice-presidente e onze ministros para substituir os que renunciaram junto com Mbeki.
Motlanthe é conhecido entre os membros de seu partido como "o ancião", por causa de sua "sabedoria e temperança", segundo comentaristas locais.
O Congresso Nacional Africano espera que Motlanthe "devolva a estabilidade e a tranqüilidade" à política sul-africana após esta crise de Governo, que evidenciou uma divisão interna dentro desse partido.
O CNA governa na África do Sul com maioria absoluta desde 1994, quando Nelson Mandela foi eleito o primeiro presidente negro do país.
Jacob Zuma, o atual presidente do CNA e rival político de Mbeki, é o candidato favorito para ganhar as eleições gerais previstas na África do Sul em abril de 2009 e, se isso se confirmar, substituirá Motlanthe na Chefia do Estado. EFE

FOCO 49: OS CONFLITOS NA NIGÉRIA !

Nigéria, o país mais populoso da África, mas também um país condenado a caminhar entre o progresso trazido pelo petróleo e o pesadelo da guerra civil.
Sem considerar a Guerra de Biafra (1967/1970) e que fez mais de 1 milhão de vítimas, nos últimos três anos mais de 10 mil pessoas morreram em choques étnicos e religiosos na Nigéria. Para melhor entender esses conflitos e tensões é necessário lançar um olhar atento sobre o grande mosaico étnico, religioso e cultural que é este país africano.

Com cerca de 924 mil km2, praticamente do tamanho do Sudeste brasileiro, a Nigéria, com mais de 120 milhões de habitantes é o mais populoso país da África. Como a imensa maioria dos Estados africanos, a Nigéria é uma construção política artificial criada pelos europeus, no caso pelo colonialismo britânico. Mesmo durante o período pré-colonial, o que hoje identificamos como o território nigeriano nunca foi unido. Durante a época colonial e mesmo depois da independência, conquistada no início da década de 1960, o embate entre forças unificadoras e desagregadoras da nação tem sido uma característica marcante da evolução política do país.A estruturação do espaço político nigeriano pode ser entendida no contexto de uma divisão dual, de natureza geográfica e religiosa que opõe, de uma forma bastante genérica, um norte muçulmano politicamente dominante a um sul, cristianizado e animista, economicamente mais próspero.

O país pode ser analisado também sob o ângulo da repartição étnica da população. Embora constituído por mais de 250 etnias, três delas são demograficamente dominantes. Na porção norte do país estão os haussas-fulanis, aproximadamente 32% da população total e que em sua maioria professam o islamismo. O sudoeste é a área por excelência dos iorubas, cerca de 21% do efetivo demográfico, parcialmente cristianizados, islamizados e animistas. Por fim, a terceira grande etnia, a dos ibos, cerca de 18%, em grande parte cristãos, têm como núcleo o sudeste do país.Esses três grupos étnicos se distinguem por sua fé religiosa, sua identidade lingüística e seu enraizamento territorial. Sua expressão demográfica, cultural, política e econômica lhes permitiu expandir seus territórios históricos e de satelizar algumas minorias circunvizinhas. Se os três grandes grupos representam cerca de 70% da população, o restante forma um quarto agrupamento constituído por mais de 240 etnias, algumas delas compostas por apenas alguns milhares de indivíduos, mas que não são destituídas de influência. Com efeito, essas minorias estão bem representados nas forças armadas (instituição de muita influência) e formam a maioria da população nos estados federais do sudeste, onde estão as principais jazidas de petróleo e gás natural. Deve-se lembrar que esses recursos minerais são as principais riquezas da Nigéria, correspondendo a mais ou menos 90% das exportações do país.

Recusando-se a aceitar a hegemonia das três grandes etnias, esses grupos minoritários têm se pautado por fazer alianças complexas que, em muitos casos, lhes têm sido favoráveis. Aparentemente, esses grupos teriam muito a perder numa eventual implosão da federação, por isso sua tática têm sido a de lutar para que a Nigéria não se fragmente politicamente. Isso não quer dizer que essas etnias tenham projetos comuns. Pelo contrário, há diversos interesses contraditórios e intensas rivalidades entre elas que, não raramente, resultam em conflitos, especialmente na porção sul do país. Por outro, foram elas as grandes beneficiadas pelo processo de fragmentação político-administrativa da Nigéria que passou de três estados federados em 1960, para mais de 30 na atualidade. A mudança da antiga capital do país, Lagos, localizada no sudoeste, portanto em território ioruba, para Abuja no cento do país, situada fora das áreas-núcleo das três principais etnias, indica a importância dada pelo governo central a esses grupos minoritários. Deve-se ressaltar também que mesmo no interior das áreas-núcleo das três grandes etnias a composição da população não é homogênea. Cada uma das grandes zonas (norte, sudoeste e sudeste) possui grupos que são étnica ou religiosamente minoritários. Assim, no norte haussa-fulani islamizado, são encontrados inúmeros bolsões de população que seguem o cristianismo. No conjunto ioruba, aquele que se apresenta como mais homogêneo do ponto de vista étnico, há ocorrência de rivalidades regionais cujas raízes estão ligadas à época da escravatura quando grupos étnicos do litoral, capturavam escravos do interior para vende-los aos europeus. Na Nigéria contemporânea coabitam descendentes de escravagistas e vítimas desse processo. Este é um outro fator que contribui para explicar alguns dos rancores e antagonismos atuais. Um outro aspecto que deve ser ressaltado é que os ibos foram, entre as três grandes etnias, aqueles que mais migraram de sua área-núcleo para outras regiões, especialmente para o norte do país. Nos últimos 50 anos, a história da porção setentrional da Nigéria tem sido marcada por perseguições, verdadeiros pogroms anti-ibo. Eles são visados tanto por ser uma etnia exógena, como também por ser uma minoria cristã implantada no interior de uma área majoritariamente muçulmana.

Durante a Guerra de Biafra, houve um êxodo maciço de ibos do norte em direção à sua área-núcleo. Terminado o conflito, ocorreram novos fluxos de migrantes ibos para outras regiões do país. Os que se estabeleceram no norte foram, em diferentes momentos dos anos 1990, vítimas de novas perseguições. Já na região sudeste, apesar da predominância demográfica dos ibos, a tentativa de ampliar sua influência hegemônica é contestada por minorias étnicas que inclusive não se engajaram do lado dos separatistas ibos durante a Guerra de Biafra. Este acontecimento não foi esquecido por alguns setores da etnia ibo. Em resumo, o mapa religioso da Nigéria compreende três grandes blocos. O islamismo, majoritário entre as populações haussa-fulani do norte, vem crescendo junto aos iorubas do sudoeste. Os cristãos, majoritários no seio das etnias sulistas, especialmente junto aos ibos e das pequenas etnias vizinhas, estão presentes também em bolsões minoritários no norte do país. Por fim, os cultos animistas, são expressivos junto às populações do sul, especialmente entre os iorubas.Como esses três grandes conjuntos religiosos não coincidem exatamente com a distribuição étnica, surgem situações complexas. Nas últimas décadas, o islamismo teve forte crescimento no sudoeste junto à etnia ioruba, modificando a imagem do islamismo nigeriano, até então marcadamente haussa-fulani. No entanto, os iorubas muçulmanos têm a tendência de primeiramente se identificarem do ponto de vista étnico para depois indicar sua "preferência" religiosa.

A região norte tem sido nas últimas duas décadas palco constante de confrontações em função do crescimento de movimentos islâmicos radicais, estimulados por entidades financiadas por países do Oriente Médio (especialmente a Arábia Saudita) e uma onda de "nova evangelização" das etnias minoritárias não-muçulmanas, encorajada por seitas protestantes. Nesse contexto, qualquer pequeno incidente pode resultar em explosões de violência que só ajudam a perpetuar as tensões.

O crescimento do islamismo mais radical tem se verificado sobre os fracassos dos modelos ocidentais que foram tentados pelos diferentes governos que o país já teve. Recusando o processo de globalização e condenando a excessiva ocidentalização das elites corruptas, esses movimentos têm recrutado simpatizantes especialmente entre o grande número de jovens sem perspectiva que se amontoam nas periferias e favelas das grandes cidades do norte do país. Eles se constituem em massa de manobra facilmente manipulável.

É no contexto desse clima constante de tensões confessionais e étnicas que se pode entender como uma frase infeliz de uma jovem jornalista possa ter desencadeado um novo ciclo de violências. Dada a complexidade dos problemas internos do país e das tensões latentes acumuladas é quase um verdadeiro milagre que a Nigéria não tenha se desintegrado territorialmente.

NOTÍCIAS ATUAIS SOBRE O TEMA

domingo, 14 de setembro de 2008, Conflitos na Nigéria podem abalar produção de petróleo
(AE-AP) - Agencia Estado
LAGOS - Choque entre milícias armadas e tropas militares do governo da Nigéria estão provocando um estado de guerra na principal região produtora de petróleo da África, no delta do rio Níger. No segundo dia de confrontos entre os membros do grupo separatista Movimento para Emancipação do Delta do Níger, o grupo disse que qualquer novo ataque às suas posições será considerado uma declaração de uma guerra de petróleo. Este grupo separatista é formado por militantes e também por membros de quadrilhas de roubam o petróleo nigeriano para revendê-lo em outros continentes. A maior parte dos confrontos está ocorrendo na região onde a indústria petroleira está estabelecida mas um conflito maior poderá deixar a infra-estrutura de extração de petróleo do país bastante abalada. Analistas dizem que os militantes estão mais motivados pelo dinheiro do que por motivos políticos. Mas as milícias dizem que eles querem que sejam criados mais recursos gerados pelo petróleo sejam distribuídos para seus estados, que continuam empobrecidos apesar de cinco décadas de exploração de petróleo na Nigéria. No domingo, os militantes disseram ter atacado soldados que protegiam áreas administradas pela Chevron Corp e pela Royal Dutch Shell depois que os militares nigerianos atacaram, no sábado, a base da milícia.(AE-AP)

FOCO 48: OS CONFLITOS EM SERRA LEOA !

Situada na costa oeste africana, Serra Leoa foi criada em 1787 para ser uma colônia e receber escravos emancipados pelos ingleses após a independência dos Estados Unidos. Os não-nativos africanos, conhecidos como krios, foram colocados pela coroa britânica nos altos postos da administração, de modo que nos anos 50, Serra Leoa proclamava sua lealdade à Rainha, enquanto o resto das colônias tratava de buscar sua independência.
Em 1968, após sucessivos golpes de estado, Siaka Stevens, do Congresso de Todos os Povos (APC), declarou Serra Leoa república independente e estado uni-partidário. Sua presidência durou 17 anos, e, no meio de grave crise, foi seguido pelo general Joseph Saidu Momoh.
Serra Leoa só despertou mesmo o interesse dos europeus quando o diamante foi descoberto, em 1930. Até dois anos após sua independência, apenas os brancos exploravam a pedra. Desde que as minas foram nacionalizadas, não houve mais paz.
Desde 1961, data de sua independência, Serra Leoa vive alternando governos civis, militares e golpes violentos. O país, entre os mais pobres do mundo, apesar das jazidas de diamantes nas mãos de estrangeiros, pouco interessa às grandes potências européias e foi deixado à deriva: não vale a pena enviar exércitos, nesse clima generalizado de violência e pobreza, a troco de nada.
O atual conflito iniciou-se com a derrubada do presidente Ahmed Tejan Kabbah por rebeldes da Frente Revolucionária Unida, liderados por Foday Sankoh, atualmente na prisão. Invocando a legalidade da eleição de Kabbah, a Nigéria e outros países enviaram uma força de intervenção que reconduziu o ex-presidente ao governo e expulsou os rebeldes da cidade, em fevereiro de 1998. Em dezembro do mesmo ano, os rebeldes, muitos dos quais são adolescentes, retomaram Freetown: somente na primeira quinzena de lutas, houve mais de 10 mil mortos. Em seguida, as forças governamentais conseguiram melhorar a própria situação, mas o caos continua.
De dia, predominam as forças do governo, à noite, os guerrilheiros adolescentes, nada tendo a perder a não ser a própria vida e liderados por guerrilheiros adultos, entregam-se à matança e ao estupro: decepam braços e pernas, cortam o ventre das grávidas, jogam as vítimas no mar ou abandonam os cadáveres nas ruas como alimento para os abutres. Não existe mais autoridade nesse país que segue a trajetória de outros países africanos, como Ruanda, Burundi e Angola, tristemente lembrados pela selvageria das matanças étnicas, e é difícil prever uma solução para o conflito. Os guerrilheiros reclamam a libertação de seu líder, mas o governo não parece disposto a ceder.

Idade da pedra, Na miséria, Serra Leoa vive guerra civil movida a contrabando de diamantes feita por rebeldes bandoleiros
“Oh, diamantes, diamantes, diamantes. Desde a guerra, todo mundo está ficando louco por causa dos diamantes. Você não pode imaginar a quantidade de propina que isso movimenta” (Yusef, personagem de The heart of the matter, de Graham Greene, romance ambientado em Serra Leoa)
Em Freetown, capital de Serra Leoa, o trabalho dos cirurgiões costuma ser mais estressante do que o da Força de Paz da ONU (Unamsil), que na semana passada teve quase 500 de seus soldados sequestrados por rebeldes da Frente Revolucionária Unida (FRU) e estava prestes a entrar em combate com o grupo. Os médicos têm que se desdobrar para amputar mãos, braços ou pernas de um número crescente de homens, mulheres e até crianças cujos membros foram parcialmente decepados a golpes de machado desfechados pelos “guerrilheiros” da FRU. É uma organização de rapina, chefiada por um ex-cabo do Exército e ex-cameraman, Foday Sankoh, que vive do contrabando de diamantes e fez da mutilação, sequestro e estupro de civis inocentes sua marca registrada. Num dos países mais miseráveis do mundo, um dos poucos cuja distribuição de renda é pior do que a do Brasil (leia gráfico), o contrabando de diamantes é o combustível de uma guerra civil que desde 1992 já matou milhares de pessoas e obrigou meio milhão de leoneses a abandonar o país.
Com o fim da Guerra Fria, o comércio ilegal de diamantes se tornou, em meados dos anos 90, uma grande fonte de recursos para Exércitos e guerrilhas numa área de guerras endêmicas da África ocidental, em países como Congo, Angola, Libéria e Serra Leoa. “Ninguém pode guerrear sem dinheiro, e diamantes aqui representam dinheiro”, resume o comprador Willy Kingombe Idi. De fato, naquela parte da África, o contrabando de diamantes vem exercendo um papel que em outras áreas de conflitos, como na América Latina e Ásia, costuma ser dominado pelo narcotráfico. Pesquisadores independentes, como a jornalista britânica Christine Gordon, acreditam que esse tráfico na África ocidental responde por 10% e 15% do total do comércio mundial de diamantes, que somente no ano passado movimentou nada menos que US$ 5 bilhões. A FRU controla hoje a maior parte das minas de diamantes localizadas na região Leste de Serra Leoa, obtendo lucros de milhões de dólares com a exportação ilegal, principalmente para a vizinha Libéria, liderada pelo ex-rebelde e atual presidente, Charles Taylor. Aliás, o crescimento da FRU coincide com a ascensão de Taylor na Libéria, eleito em 1997. Ele e Sankoh são velhos amigos: ambos receberam treinamento militar na Líbia, iniciaram rebeliões contra os governos de seus países no final dos anos 80 e se ajudaram militarmente. O governo liberiano nega o contrabando, mas, de acordo com dados do Higher Diamond Council, em Antuérpia (Bélgica), o valor das exportações de diamantes brutos de Serra Leoa caiu de US$ 66 milhões para US$ 31 milhões em 1999, ao mesmo tempo que as exportações da Libéria – que não produz diamantes – pularam de US$ 268 milhões para US$ 298 milhões. Estudos recentes indicam que Serra Leoa está perdendo anualmente entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões com o tráfico.
Segundo diplomatas e funcionários da ONU, os comandantes da FRU embolsam uma porcentagem das vendas de diamantes, mas grande parte do dinheiro é usada na compra de armas modernas. A organização Human Rights Watcht afirma que somente em março do ano passado 68 toneladas de armas provenientes da Ucrânia e de Burkina Faso foram entregues aos militantes da FRU. Mas o dinheiro dos diamantes também é utilizado para financiar a campanha eleitoral do líder Foday Sankoh – a eleição presidencial de Serra Leoa está prevista para o próximo ano. A principal razão para o recente recrudescimento do conflito foi a tentativa que a Força de Paz da ONU fez para retomar as áreas de produção de diamantes, conforme previa o acordo de paz assinado entre o governo e os rebeldes em julho do ano passado.
Aos 63 anos, o roliço Foday Sankoh – conhecido como “Papa” – comanda um exército que tem entre 10 mil e 15 mil homens, a maioria recrutada através do sequestro de jovens camponeses, muitos dos quais ainda são adolescentes. A organização foi formada em 1991 por ele e por um grupo de seguidores treinados na Líbia oriundos do movimento estudantil com o objetivo de lutar contra a corrupção institucionalizada do regime de partido único. Hoje, a FRU ainda abriga um minoritário grupo de idealistas pan-africanos, mas a maioria dos militantes, jovens empobrecidos, vê o movimento como simples meio de ganhar a vida. Apesar do discurso “esquerdista” de seu líder (“Os agentes do colonialismo chamados políticos fizeram nosso povo empobrecer. É por isso que nós estamos lutando”), a organização adota métodos da mais pura bandidagem, aterrorizando a população com mutilações, estupros, sequestros e assassinatos. Métodos que, diga-se de passagem, foram ensinados aos africanos no século passado pelo rei da Bélgica Leopoldo II no Congo Belga. Condenado à morte por traição em 1997, o carniceiro Sankoh não apenas foi anistiado com o acordo de paz de 1999 como ganhou o cargo de vice-presidente, e a FRU várias pastas no Ministério. Na segunda-feira 8, a guarda pessoal de Sankoh atacou a multidão que protestava em frente à sua casa em Freetown e matou oito manifestantes. O líder guerrilheiro não foi visto desde então. Seu desaparecimento aumentou os temores de que o infeliz país mergulhe mais uma vez num interminável banho de sangue.